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Doping tecnológico?

Londres testa nadadores sem os supermaiôs

Roupa que contribuiu com grande número de quebra de recordes em Pequim-2008 não poderá ser usada em Londres

Cielo tenta mostrar seu talento sem o supermaiô. Velocista disputa amanhã o 4x100 m livre | David Gray/ Reuters
Cielo tenta mostrar seu talento sem o supermaiô. Velocista disputa amanhã o 4x100 m livre (Foto: David Gray/ Reuters)

A sigla WR, aquela que apa­­rece na televisão após a quebra de um recorde mun­­dial, dificilmente dará as caras du­­rante as provas da natação nos Jogos de Londres.

A enxurrada de recordes em Pequim-2008 (20) e nas competições oficiais de 2009 (33) empacou após a proibição dos supermaiôs, os principais responsáveis pelos baixos tempos. Sem eles desde o início de 2010, apenas dois recordes mundiais foram batidos – 200 m medley masculino e 1.500 m livres, também entre os homens.

Esse cenário negativo obri­­gará os atletas a terem uma performance além de extraordinária para quebrar, quem sabe, dois ou três recordes mundiais na piscina do Centro Aquático de Londres.

O fim dos supermaiôs afetou em cheio o nadador mais rápido do mundo: o brasileiro Cesar Cielo. Os dois recordes mundiais dele, nos 50 m livres e nos 100 m li­­­­vres, foram alcançados em 2009, ainda com a veste tecnológica. De lá para cá, ele perdeu centésimos de segundo em ambas as provas. De 20s91 pa­­ra 21s38 e de 46s91 para 47s84, respectivamente.

Os fabricantes de materiais esportivos têm tentado criar peças, em especial as superbermudas, para de alguma forma reconquistar os centésimos de segundo. Mas o que pode mesmo fazer a diferença são as técnicas de treinamento, cada vez mais apuradas com o apoio da ciência, que vão desde a alimentação até o uso de câmeras de vídeo para acertar pequenos detalhes que passam despercebidos ao olho humano.

Essa preparação tem funcionado para Cielo. Aos poucos ele vem baixando os tempos nos 50 m livres. Mas, mesmo assim, a expectativa é de que ele não consiga alcançar em Londres a melhor marca da carreira.

O técnico do nadador, Al­­berto Silva, prevê um tempo entre 20s90 e 21s03 nos 50 m livres. De qualquer forma, se nadar nesse intervalo, tem grandes chances de conseguir outro ouro olímpico.

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