
Presente nos Jogos Olímpicos desde a Antiguidade, a luta corre o risco de ficar fora do maior evento esportivo em 2020, com sede a definir Istambul (Turquia), Madri (Espanha) e Tóquio (Japão) pleiteiam a vaga. Risco que faz a pequena comunidade de atletas brasileiros tombar no tatame.
O anúncio foi feito pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), há um mês, e pegou os poucos adeptos da modalidade no país desprevenidos. Teme-se pelo aborto de um processo de evolução do esporte com a perda de competidores para o MMA (Mixed Martial Arts) e a saída de patrocínios. A Caixa Econômica Federal, por exemplo, apoia a atividade.
VÍDEO: Atletas explicam a luta
"Com a repercussão dos Jogos no Rio, em 2016, os investimentos aumentaram, e temos um grupo de acesso se formando que tem chances de medalha. Aos poucos, os resultados estão começando a surgir. Com isso, nossa expectativa era de disputar chances reais de pódios em 2020. Esse anúncio foi um balde de água fria para nós", garante Sérgio Roberto Oliveira, presidente da Federação Paranaense de Lutas Associadas (Fepala). Estima-se hoje entre 1,5 mil e 2 mil praticantes no país.
Em 117 anos de Jogos Modernos, o wrestling nome em inglês adotado no evento esteve fora em apenas uma edição, em 1900, voltando quatro anos depois. "A história da Olímpiada está atrelada à história da luta. Existe uma mobilização mundial para que a gente convença o COI disso", conta o dirigente, que atribui a indicação do Comitê à falta de articulação política da Federação Internacional de Lutas Associadas (Fila).
"As federações das outras modalidades [canoagem, taekwondo, pentatlo moderno e hóquei sobre grama] amarraram a permanência com o COI, enquanto que a Fila achou que pela história, isso não aconteceria conosco", emenda Oliveira.
Para o veterano Marcelo Zulu, 13 vezes campeão brasileiro no estilo greco-romano, o que incomoda é a falta de argumentos para a exclusão. "Eu não vejo motivo nenhum para fazerem esse corte. A audiência da luta é ótima. O número de praticante é absurdamente alto. É um esporte democrático, que distribuiu medalhas para muitos países. Não tem o porquê", diz.
O curitibano Diogo Sasso, 21 anos, sobe no tatame há cinco anos. Ele experimentou as melhorias que o esporte conquistou no Brasil. "Nós conseguimos apoio financeiro, e realizamos intercâmbio de atletas e treinadores da Rússia, da Bulgária, dos EUA, que são grandes centros de desenvolvimento".
Diogo garante que não poder ter a chance de competir em 2020 é frustrante. "O sonho de qualquer atleta é ir para uma Olimpíada. De repente falarem que não vai dar pra ir, de uma hora para outra, é triste".
Apesar de ser apenas uma indicação, a esperança de que o esporte permaneça no programa existe. "Eu acredito que a luta vai ficar nos Jogos. Ainda mais com a mobilização que está sendo feita. E caso não seja cortado, vai ser algo bom, pois divulgou e uniu mais o esporte", afirma Zulu.
A decisão será baseada em alguns critérios do COI (popularidade, capacidade de venda de ingressos, audiência, número de casos e controle de doping e número de países participantes), e será anunciada em setembro, na Argentina, junto com a divulgação do local dos Jogos.
Será analisada também a inclusão de uma das sete modalidades (caratê, squash, patinação artística, escalada, wakeboard, kung fu ou beisebol/softbol) que buscam fechar a lista de 26 esportes participantes em 2020.
Esportes | 2:02
Uma dos esportes mais tradicionais do mundo, a luta está presente nas Olimpíadas desde a Antiguidade, e corre o risco de sair da competição em 2020. A modalidade ganha cada vez mais espaço no Brasil, e vê na exclusão um freio ao progresso nacional.



