
Envolta em mistério por quase dois meses, em poucos dias de revelação pública a maquete da Arena concluída já se tornou objeto de adoração dos rubro-negros. Em exposição no quarto andar da sede do clube, a versão miniatura do estádio recebeu a visita de mais de 1.200 torcedores em cinco dias.
Até que as obras se iniciem (não há previsão), deve ser destino de peregrinações e embalar o sonho dos atleticanos. "Sou sócio e vim para dar uma olhada em um lugar que eu possa ficar no futuro", revela o administrador de empresas Rodrigo Raitani, de 30 anos, enquanto examinava minuciosamente a mini-Arena.
A representação do novo estádio foi produzida em Montevidéu, no Uruguai, local onde se encontra o escritório do arquiteto Carlos Arcos, um dos responsáveis pela concepção do projeto ao lado de Héctor Vigliecca, do Vigliecca & Associados. Quinze pessoas trabalharam na maquete, que demorou 22 dias e foi dividida em 40 partes unidas no final.
"São várias as questões técnicas. O arco que está feito na miniatura, que vai sustentar todo o teto da arquibancada nova, também é sustentação na maquete. Não é simplesmente um objeto decorativo. Se não tivéssemos esse arco não conseguiríamos fazer", explica Carlos Arcos, sobre as dificuldades da "primeira construção".
Após concluída, ela foi guardada a sete chaves, sendo revelada pela primeira vez em sessão secreta na apresentação aos inspetores da Fifa para a candidatura de Curitiba à Copa do Mundo de 2010, em agosto, no Rio de Janeiro. Na reunião, a "Areninha" foi fator surpresa e chamou a atenção dos membros da entidade máxima do futebol.
Para a imprensa e, conseqüentemente, o torcedor, veio à tona somente no dia 29 de setembro, oficialmente apresentada no CT do Caju com direito a bênção do padre João Chemin. Agora, a bênção virá dos atleticanos. "Está muito bonito; ficamos na expectativa de vê-la na realidade", comenta Celso Vanderlei Zan, 44 anos, engenheiro.
E como deverá acontecer muitas vezes, de frente para a "mais nova ainda" Baixada, todo torcedor vive seu dia de engenheiro e arquiteto. Com o torcedor Felipe Buba, aposentado de 70 anos, o atleticano Celso entrou em um debate sobre se a edificação deveria ser integralmente coberta. O primeiro exaltava o conforto, enquanto o segundo alegava que a grama não suportaria a diminuição da incidência do sol.
"Acho fantásticas as discussões. É uma primeira checagem da nossa criação e tenho ouvido críticas positivas", avalia Carlos Arcos, um dos "pais da criança". Uruguaio (assim como Héctor Vigliecca) e torcedor do Nacional, em 30 anos de carreira ele participa de seu primeiro projeto na bola junto com o parceiro, também são responsáveis pelo arena que será construída em Manaus (AM).
"Não é uma especialidade singular. Do ponto de vista acadêmico, a arquitetura é sempre igual. Evidentemente, precisa de um conhecimento", diz Arcos que, ao lado da diretoria atleticana, visitou mais de 20 estádios na Europa, incluindo os utilizados na Copa da Alemanha.
Serviço: Maquete da Arena, localizada no 4.º andar do Estádio Joaquim Américo (Kyocera Arena). Horário de visitação: 15 h às 20 h (segunda a sexta-feira) e das 10 h às 16 h (sábados).



