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“Diário de um Skinhead”: os bastidores da ultra violenta torcida do Real Madrid
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A Gazeta do Povo apresenta aos leitores textos dos integrantes da equipe de Esportes sobre os melhores livros de futebol que já leram. Relatos pessoais de viagens esportivas pela literatura. Leia e indique os seus preferidos nos comentários!

"Diário de um Skinhead": os bastidores da ultra violenta torcida do Real Madrid, por Diogo Souza

Quando criança, o estádio era a minha segunda casa. O futebol, um elo entre eu e meu pai. A ansiedade para que o domingo chegasse fazia parte da nossa rotina. Aos dez anos, já achava que era adulto. Lembro de ficar olhando as torcidas organizadas e pedir para o “coroa” para que pudéssemos ir ao setor em que a festa rolava solta. Meu velho nunca deixava.

Uns anos se passaram, meu pai deixou de frequentar os estádios e eu pude, enfim, realizar meus desejos. Minha admiração por aquele mundo sempre foi grande. Ainda não sei descrever o que leva o torcedor a ser tão louco por um time de futebol. E, por escolhas, decidi parar de frequentar a arquibancada.

Neste mesmo período, li uma das obras que mais me chamou atenção quando o assunto é literatura e futebol: "Diário de um Skinhead". O livro é do jornalista investigativo espanhol Antonio Salas. Para quem se interessa por bastidores do futebol, é prato cheio.

O livro traz um panorama geral dos skinheads em Madrid, na Espanha, e mostra um trabalho perfeito de um jornalista investigativo. Antonio Salas, na verdade, é um codinome. O profissional se infiltrou por um ano no movimento e ficou próximo de líderes da Ultra Sur, principal torcida organizada do Real Madrid.

Os relatos da violência, preconceito e “sujeira” entre clubes e torcedores são impressionantes. É um retrato cru de um universo abjeto que une esporte com movimentos extremistas.

Em uma entrevista feita em 2007, Salas destacou que, antes da investigação, não sabia do financiamento de diretorias de clubes de futebol a esses torcedores, com entradas liberadas nos estádios e o pagamento de viagens.

Os “ultras”, como são relatados no livro, são influentes dentro do bastidor de um clube de futebol, definindo até os rumos da instituição. As diretorias, em alguns casos, acabam virando reféns dos torcedores. A do Real acabou sendo um exemplo.

O jornalista relata ainda discursos de ódio dos integrantes da torcida, que ainda entoava cânticos fascistas e levava materiais com propaganda nazista ao Santiago Bernabéu. Tudo com o consentimento dos diretores do clube.

“É muito difícil para um clube renunciar aos seus ultras. Pelo apoio, pelo merchandising que eles compram. E também por medo. Há o caso de jogadores que foram agredidos por ultras”, disse o jornalista a um blog português.

No Real, jogadores como Figo, Casillas e Raul já posaram para fotos publicitárias com produtos dos ultras. Os líderes da Ultras Sur também ficaram famosos por entregar uma placa em homenagem ao técnico José Mourinho, quando este se despediu do clube em 2013.

A facção entrou em rota de colisão com o clube no mesmo ano, após uma briga entre os próprios torcedores no Santiago Bernabéu. Eles perderam o lugar cativo em um setor do estádio, alguns foram parar na prisão e muitos são impedidos de acompanhar as partidas dos Merengues.

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