Os gritos entoados pela torcida do Roma, a partir da metade do segundo tempo, têm de fazer a direção do Tricolor refletir e agir rapidamente. Foi aos gritos de "Timinho, Timinho" e "Olé, Olé" que o Paraná chegou a sua terceira derrota na competição, ontem, em Apucarana.
Levou 3 a 1 da equipe da casa, e afundou na tabela como a pior equipe da competição. São quatro rodadas de Campeonato Paranaense. A desculpa de falta de entrosamento já não convence mais. Principalmente quando o revés ocorre com o time não demonstrando muita disposição em campo.
"O adversário foi mais time desde o começo. A gente sempre comenta, fala, orienta... As condições são as melhores possíveis. Será que só jogam clássico? Só vão jogar com time grande?", perguntou Roberto Cavalo, visivelmente preocupado e abatido ao fim do jogo.
A partida de ontem fez o desempenho no Paratiba parecer apenas obra das expulsões sofridas pelo Alviverde, que chegou a estar com dois homens a menos na Vila Capanema, domingo. Alguns jogadores voltaram a mostrar apenas lapsos, em vez de regularidade. Outros continuaram sem aparecer. E, no fim, ainda justificaram o resultado usando a falta de sorte. Assim, só mesmo o comandante paranista para colocar o desempenho tricolor em seu devido lugar.
"Existiu um certo desrespeito com o adversário. Me preocupa, pois perdemos de um jeito que tem de se preocupar mesmo. Não tivemos nenhum destaque [individual]. Não criamos nenhuma situação, tomamos gol da forma que tomamos e vimos a disposição do adversário ser sempre maior", continuou desabafando o técnico.
Cavalo admitiu estar enfrentando dificuldades para resolver os problemas com a dupla de zaga. Ontem, novamente, os três gols do Roma vieram de falhas da defesa. O primeiro, logo a 1/1º, quando Robenval se antecipou e cabeceou. No segundo tempo, o Paraná chegou a empatar com Rafael Vaz, também a 1 minuto, de cabeça. Mas daí tudo desandou. Quatro minutos depois, Alex entrou como quis na área e deixou Paulo Sérgio com o trabalho apenas de chutar. Aos 27 minutos foi a vez de Alex fazer o dele, cobrando falta na lateral, em mais uma falha de Luís Carlos há algo errado em um goleiro que sempre reclama receber falta quando leva gol.
Todo o contexto seria suficiente para deixar qualquer treinador balançando. Cavalo, contudo, refuta estar pressionado no cargo.
"Se existe planejamento, por que eu balançaria? Agora está começando a dar uma clareada [em contratações]. Tem de ter paciência também", afirmou o técnico, que estava mais perplexo por ser envolvido por um time que considera inferior. "Não podemos deixar de fazer um ponto ou três contra um adversário que eu sei que não vai chegar."



