
Na sua última semana como jogador de futebol, após 20 anos de carreira, o meia Alex fez questão de homenagear um profissional dois anos mais novo do que ele. Segundo o camisa 10, o técnico Marquinhos Santos conseguiu "agrupar o que era um bando quando ele chegou ao clube".
O treinador retornou há 20 jogos ao comando do Coxa, quando o time estava em penúltimo lugar no Brasileiro. Com um aproveitamento de 48,3%, evitou o rebaixamento com uma rodada de antecedência. Se quiser ficar, já conta com o aval do próximo presidente, independentemente de qual chapa vencer as eleições do dia 13.
"Mesmo com alguns coxas o chamando de estagiário, terá sempre meu respeito, meu velho! Trabalha demais, é chato, metódico, convicto no que pensa", elogiou o capitão coxa-branca por uma rede social.
"Numa das maiores sacanagens que vi em 20 anos de bola, foi mandado embora ano passado. Merece todo respeito do torcedor coxa", acrescentou Alex, referindo-se a setembro de 2013. Após passar os dez primeiros jogos do Brasileiro invicto, o treinador acabou demitido junto com o superintendente Felipe Ximenes quando o time caiu de rendimento e foi eliminado da Sul-Americana pelo colombiano Itagüi.
A alegria de Alex com o desempenho da equipe também tem outra explicação. Com a fuga do rebaixamento, o meia poderá se despedir sem pressão. Mesmo ciente da necessidade de levar a sério o jogo com o Bahia, adversário ainda na briga contra o descenso.
"O legal é que agora tenho [mais] uma semana como jogador profissional, mas relaxado, sem pressão para vencer o Bahia. Espero uma atmosfera legal para me despedir do torcedor. E, principalmente, esse grupo merece se despedir, porque passou por muitas coisas", disse o capitão coxa-branca após o jogo com o Atlético-MG, domingo, no Estádio Independência.
Na mesma entrevista, Alex mostrou não esquecer a rusga com o atual presidente Vilson Ribeiro de Andrade. No ano passado, o dirigente disse que os jogadores precisavam ter vergonha na cara e evitar o rebaixamento que se desenhava.
"Esse é um grupo merecedor e, desde a entrevista infeliz do presidente diante do Criciúma, ele tem sofrido pressão. Por trás de um jogador, tem um homem, um marido, um pai, que sente. E alguns também irão sair do clube", lembrou.
"É o fim de um ciclo. E todos vão se despedir com o sentimento de dever cumprido", aposta o camisa 10, recepcionado ontem no Aeroporto Afonso Pena por cerca de 15 torcedores satisfeitos com a permanência do time na Série A.
Hoje, com uma reunião envolvendo o marketing do clube e o jogador, o Coritiba irá definir como será a festa de despedida.
Eleições
O pleito no Coritiba está dividindo ex-jogadores do clube em dois grupos. Cláudio Marques, Jairo e Gerson Dall Stella já afirmaram que estão do lado da situação, presidida por Vilson Ribeiro de Andrade. Já Serginho Cabeção, Rafael Cammarota e Toby apoiam a oposição, presidida por Rogério Bacellar. Do atual elenco, o único sócio é o meia Alex. Mesmo com a esposa entre os integrantes da chapa da oposição, o jogador prefere não declarar o seu voto.



