O Operário Ferroviário vai substituir o jogador Davi Ceará pelo atacante Rafael antes de a bola rolar nesta quarta-feira (31), no estádio Germano Krüger, para os 59 minutos restantes final do jogo contra o Cascavel, adiado por causa de fortes chuvas na semana passada. A decisão foi tomada nesta terça mesmo sem o clube ter encontrado respaldo legal junto à Federação Paranaense de Futebol, embora garanta que não há impedimentos para pôr em prática seu intento.
De acordo com um dos gestores do Operário, Dorli Michaels, a equipe não pode ser prejudicada por um erro do regulamento. "O regulamento não permite que voltemos com o Ceará para a partida, mas não fala absolutamente nada que impeça que o substituamos por outro jogador. Quando o jogo foi interrompido, tínhamos 11 jogadores em campo. Quando o jogo recomeçar, temos que ter 11 jogadores em campo", explicou, por telefone, à Gazeta do Povo.
A polêmica toda surgiu graças ao que diz o artigo 15º do Regulamento Geral das Competições, documento que rege todas as competições organizadas pelas FPF. Ele trata dos desdobramentos de um jogo que teve de ser adiado por causa de força maior (como as chuvas) e prevê que um jogador que tenha recebido o terceiro cartão amarelo durante a partida (estaria, portanto, suspenso do jogo seguinte apenas) não poderia voltar a campo. O Operário contestou esse artigo e buscou amparo na FPF.
A entidade se pronunciou apenas sobre o jogo em que a suspensão de Ceará deveria ser cumprida, mas deixou a critério dos interessados (pro "bem" ou para o "mal") qualquer interpretação que se tenha do RGC. Dirigentes e advogados do Operário estiveram na Federação, mas não conseguiram nenhum documento nem decisão oficial sobre como proceder.
Certos de que não estão cometendo nenhuma infração, os representantes do time de Ponta Grossa decidiram não escalar o jogador, mas substituí-lo. ". Vamos recomeçar o jogo com 11 jogadores. Antes da bola rolar, sobe a placa de substituição e colocamos o Rafael em campo. Preferimos isso a entrar com dez jogadores em campo. Não podemos correr o risco de jogar um planejamento de uma temporada toda por causa de uma omissão do regulamento. Entrar com um a menos é um absurdo", explicou Michaels.
O dirigente lamentou ainda não ter recebido respaldo da FPF e do Tribunal de Justiça Desportiva sobre o assunto.
TJD diz que não foi procurado
Responsável por analisar questões polêmica, deliberar e julgar tudo que se relaciona ao esporte no Paraná, o Tribunal de Justiça Desportiva diz que sequer foi procurado pelo Operário para falar sobre a polêmica. "Pelo que tomei conhecimento, eles optaram por recorrer à Federação para saber como proceder. Acho que eles poderiam ter submetido essa questão ao TJD também, para tentarmos achar uma solução. Infelizmente isso não aconteceu", disse o procurador-geral do órgão, Ramon de Medeiros Nogueira.
Ele, contudo, disse que entende a angústia do Operário e compactua da mesma opinião dos dirigentes pontagrossense. "Entendo que não é possível que um cartão amarelo valha o mesmo que um vermelho. E, de fato, o artigo 15 diz isso. Ou seja, o jogador que tomar o terceiro amarelo não pode voltar para o jogo. Parece-me um absurdo. Ele já cumpriu a suspensão inclusive. Quer me parecer que mais uma vez ao se elaborar o regulamento houve um equívoco".



