
As duas últimas Eurocopas e o Mundial de 2010 terminaram com a mesma cena: Iker Casillas, em meio a um festivo time espanhol, erguendo a taça de campeão. Hoje, no Maracanã, o goleiro pode repetir o ritual com o único grande título que falta à seleção que há cinco anos domina o futebol internacional. A conquista menos importante da Roja, mas com um significado especial para o seu capitão.
Casillas passou 135 dias sem disputar uma partida, entre fevereiro e junho deste ano. Resultado de um desentendimento com José Mourinho, que usou uma fratura na mão do jogador como pretexto para mandá-lo para o banco do Real Madrid e deu início a uma crise que extrapolou o clube merengue e atingiu a seleção espanhola.
Xavi acusou publicamente o técnico português de tentar desestabilizar o ambiente na Roja. Alvaro Arbeloa teve de explicar, assim que se apresentou para a Copa das Confederações, por que publicou na internet uma foto de despedida com Mourinho e sua comissão técnica. Vicente Del Bosque evocou o histórico de Casillas na seleção 147 partidas e a titularidade nas conquistas mais importantes para defender sua permanência na equipe mesmo não sendo titular no Real. "Tem de se proteger os mitos", dizia o treinador na fase de preparação.
A proteção, na prática, foi colocar Casillas aos poucos nos amistosos. Depois estabelecer um rodízio na primeira fase, com um jogo para ele, outro para Reina e o terceiro para Valdés. E, por fim, confiar a ele a defesa do gol espanhol na semifinal. Uma atuação soberana de Casillas contra a Itália, que salvou a Roja nos 90 minutos e levou a disputa para os pênaltis.
"Chorei, sofri, passei mal, houve várias noites em que dormi pouco e mal. Recuperei a felicidade. A verdade é que ninguém está habituado a viver em um lugar que não conhece. Não foi fácil, mas, depois de quebrar o gelo, sou outro Iker Casillas", afirmou.
Um Casillas novo, disposto a completar a redenção com um troféu em um estádio que toda a seleção espanhola considera especial. E em uma condição inédita dentro da trajetória vitoriosa do goleiro e de sua equipe.
"Os brasileiros mostraram muita qualidade ofensiva, fizeram muitos gols. Contam com toda a sua torcida e o que está no entorno. Vamos enfrentar o Brasil e o Maracanã. Todos vão jogar contra a Espanha", afirmou o capitão, ansioso por completar a volta por cima com a cena mais comum dos últimos torneios de seleções.



