
Foz do Iguaçu O olhar fixo no horizonte e o semblante fechado indicam a tristeza do francês Alain Jourdant. Ontem, enquanto os canoístas disputavam a competição por equipes, o técnico da seleção brasileira recebia a notícia de que o Mundial de Canoagem Slalom em Foz do Iguaçu marcaria a sua despedida do time verde-e-amarelo. O relacionamento de quase oito anos estava acabado de forma unilateral.
A Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa), alegando falta de resultados, decidiu não renovar o contrato do treinador, que termina no fim do mês. "Está na hora de mudar. Há uma lista de técnicos nacionais e estrangeiros sendo analisada", confirma o presidente da entidade, João Tomasini Schwertner, ainda indeciso sobre que rumo tomar.
A demissão aborreceu, mas não pegou o treinador de surpresa. Dá até para dizer que se tratava de uma morte anunciada, que começou a ser esboçada no ano passado. Também em setembro, a CBCa deu baixa na carteira de Jourdant, recontratado sete meses depois. "Foi um pedido dos atletas. Quando acabou tudo aqui [seleção permanente em Foz do Iguaçu], eles voltaram para casa. Mas cinco integrantes da seleção pediram para treiná-los novamente, lá em Tibagi. Eu aceitei, recebendo apenas uma taxa mínima de outubro a dezembro", explica ele, relembrando o início do processo que culminaria com o seu retorno ao time nacional.
O grupo de pupilos fiéis ao francês era formado pelos paranaenses Ricardo Taques, Bruno Machado, João Vítor Machado e o paulista Filipi Santin o quinto integrante, por já não fazer mais parte da equipe, não foi mencionado pelo técnico. "Eu entrei na seleção, cresci e aprendi com ele. O Alain representa quase tudo para nós", ressalta Taques, de 17 anos, natural de Tibagi.
A verdade é que a relação entre Jourdant e o comando da CBCa andava estremecido. "Distante", classifica o treinador. Sempre que podia, o francês dava um jeito de cobrar a continuidade dos projetos da entidade, pedindo mais estrutura para a canoagem. O fato de a confederação liberar todos os atletas em setembro, quando o Canal Itaipu fecha por causa da piracema o local é usado pelos peixes em período de reprodução , deixava-o indignado. "Há meninos aqui que mudaram três vezes de escola em 2006. Lá na França a gente se preocupa muito com a vida social do atleta", afirma.
Apesar da decepção por deixar a seleção justamente no momento em que a modalidade começa a ganhar visibilidade com a construção da única pista artificial da América Latina, em Foz considerada uma das melhores do mundo pelos atletas de diversas delegações que participam do Mundial , Jourdant não descarta um possível retorno, repetindo o enredo do ano passado. "Saio feliz porque pude trabalhar bastante e porque os atletas gostam de mim. O resto é política. Se algum deles me pedir para ajudar na conquista da vaga olímpica, volto com certeza. Ninguém sabe ao certo o que vai acontecer", explica ele.
Porém, pela convicção das palavras do presidente da CBCa, o francês deve largar mesmo o uniforme verde-e-amarelo amanhã, após o fim do Mundial.



