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Natação

Mundial pesa e Cielo recebe só advertência

Flagrado em exame antidoping por uso da substância furosemida, campeão olímpico diz ter sido vítima de erro farmacêutico

Em pronunciamento ontem à noite, Cielo ressaltou que é “um atleta exemplar”, negando o uso de substâncias proibidas | Marlene Bergamo/ Folhapress
Em pronunciamento ontem à noite, Cielo ressaltou que é “um atleta exemplar”, negando o uso de substâncias proibidas (Foto: Marlene Bergamo/ Folhapress)

São Paulo - Mais importante nadador brasileiro da história, Cesar Cielo, de 24 anos, foi flagrado em exame antidoping pelo uso do diurético furosemida. Como pena, recebeu apenas uma advertência e deve ir ao Mundial de Xangai, a partir do dia 24 deste mês.

No mesmo Troféu Maria Lenk, em maio, outros três atletas foram flagrados. Nicholas Santos, Henrique Barbosa e Vinícius Wa­­ked, usuários da mesma substância, também foram só advertidos.

A defesa dos nadadores foi coletiva. Alegaram terem sido vítimas de erro de uma farmácia de manipulação, que teria contaminado o suplemento de cafeína que Cielo disse tomar há dois anos. "Pela segurança que tenho na utilização do suplemento, creio que este resultado tenha sido um fato isolado. Por causa dessa confiança, outros atletas também fizeram uso do suplemento", afirmou o campeão olímpico e mundial em nota lida para a imprensa ontem à noite – não foram permitidas perguntas.

"Em toda a minha carreira, sempre tive o maior cuidado com todo tipo de medicamento ingerido. Me considero um atleta exemplar neste aspecto. Nunca utilizei nenhum recurso ergogênico ilícito que pudesse favorecer minha performance."

A furosemida ajuda na eliminação de líquido do corpo e pode mascarar a presença de substâncias dopantes. "Foi entendido que não existiu culpa nem negligência. Eles já haviam sido testados várias vezes antes", disse Eduardo de Rose, membro da Agência Mundial Antidoping e presidente do painel da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) que julgou o caso.

Cielo, Nicholas e Vinícius treinam com Alberto Pinto em São Paulo, na equipe do campeão olímpico. Henrique, como Cielo e Nicholas, defende o Flamengo em competições. O clube carioca, em nota, disse confiar "na idoneidade de seus atletas".

Segundo a médica Sandra Soldan, diretora-adjunta de doping da CBDA, os atletas apresentaram relatório de uma farmácia, que assumiu a falha. O erro teria ocorrido no encapsulamento da substância. O estabelecimento seria de Santa Bárbara d’Oeste (135 km de São Paulo), terra natal de Cielo. "Eles apresentaram o suplemento e mandei analisá-lo no Ladetec [único laboratório brasileiro credenciado na Agência Mundial Antidoping (Wada)], comprovando que havia diurético", disse.

Segundo Bernardino Santi, da Sociedade Brasileira de Medicina Esportiva e médico da confederação de boxe, a contaminação depende da qualidade do laboratório que manipula o medicamento. "Há casos de contaminação de substâncias por outras, depende do laboratório, do produto. É preciso cuidado onde se compra, pela internet, em laboratório de fundo de quintal", declarou.

José Kawazoe Lazzoli, diretor da Sociedade Brasileira de Medi­­cina do Exercício e do Esporte, diz que problemas geralmente ocorrem em suplementos do exterior. "Alguns são contaminados até com esteroides, mas não aparece no rótulo. A pessoa compra, tem re­­sultados e não sabe que há substâncias proibidas", afirmou.

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