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Paraná

Na Vila, insônia após a tragédia contra o Peixe

"Foi o pior momento da minha carreira". O dono da frase é o volante Goiano, que assim como os companheiros de Paraná teve uma madrugada longa e fúnebre. Junto com o apito final do árbitro mineiro Alício Pena Júnior, um turbilhão de sentimentos tomou conta do elenco tricolor; da incredulidade ao desespero. Levar a virada diante do Santos, após abrir 2 a 0 na Vila Capanema, e ver a festa da torcida se transformar em revolta temperada com choro não sairia tão fácil da memória.

"Fiquei chateado demais. Não só pelo time, mas pela minha família, pela torcida que estava muito animada. Frustrante", desabafou o prata da casa, com a voz evidenciando a intensidade do baque causado pela tragédia de domingo.

O dia de folga, ontem, foi útil como jamais havia sido. O corpo precisava se recuperar não só do desgaste físico e emocional da batalha perdida, como também da falta de sono. Pregar os olhos se torna tão ou mais difícil do que vencer o rival dentro de campo quando o ato é o estopim para rever na mente cada segundo da decepção.

Goiano é o maior exemplo disso: foi dormir (o melhor verbo seria cochilar) com o sol nascendo, às 6 horas. Estava desperto duas horas depois. Mais sorte tiveram dois de seus companheiros. Jumar, a descoberta de Saulo, apagou um pouco antes: 4h30. Até conseguir descansar, conversou com a esposa, fugiu dos programas esportivos da televisão e, contrariando os pedidos da mulher, deu vazão aos pensamentos sobre o jogo. "Não fico remoendo o que passou. Estava preocupado com o que temos pela frente", disse o jovem de 21 anos.

Já o goleiro Gabriel lembra de ter dormido por volta das 3 horas. "Fui vencido pelo cansaço", garante o atual camisa 1, que cumpriu a rotina de deixar a Vila e seguir para a igreja depois da partida. Promessa para o time não cair, ele nega ter feito, mas certamente saiu na prece o pedido por uma ajudinha lá do alto. "Para quem acredita, é importante", admitiu.

Substituto do até então ídolo Flávio, a primeira reação de Gabriel quando trilou o apito final foi não acreditar. "Parecia que iríamos sair daquele momento difícil e, de repente, nos vimos em novo pesadelo", contou. O mal-estar é ainda pior para quem sempre defendeu as cores do Paraná. "A gente vê o clube há tanto tempo na Primeira Divisão e, quando chega a nossa vez, o time fica na beira da Segundona... É de chorar", complementou. A esperança, os três juram, não morreu.

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