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Natação

Nadadores criticam julgamento brando do doping de Cesar Cielo

Competidores do Mundial acham que decisão da CAS abriu precedentes para novos casos

Cielo no Mundial de Esportes Aquáticos de Xangai: decisão da CAS repercute | Christinne Muschi  / Reuters
Cielo no Mundial de Esportes Aquáticos de Xangai: decisão da CAS repercute (Foto: Christinne Muschi / Reuters)

A decisão da Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês) de apenas advertir o nadador Cesar Cielo por um resultado positivo em exame antidoping continua repercutindo entre os nadadores que vão participar do Mundial de Esportes Aquáticos em Xangai. Além disso, a Federação Internacional de Natação (Fina) revelou considerar a possibilidade de adotar um programa de passaporte biológico.

Cielo, campeão olímpico e mundial, foi liberado para competir no Mundial na quinta-feira (21) após a CAS confirmar a decisão da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) de apenas advertir o nadador. A Fina tinha recorrido da decisão da CBDA para o caso em que o nadador deu positivo para furosemida, um diurético proibido e agente de mascaramento, no Troféu Maria Lenk, no Rio de Janeiro, em maio.

Cielo disse que consumiu a substância em um lote contaminado de um suplemento alimentar que ele usa regularmente. Outros casos recentes envolvendo doping por furosemida causaram suspensões de até 14 meses. A decisão de manter a advertência a Cielo foi a mesma para os brasileiros Nicholas Santos e Henrique Barbosa, enquanto a CAS suspendeu Vinicius Waked, que era reincidente, por um ano.

"Foi-me dito várias vezes para avaliar o que coloco no meu corpo porque você é responsável por isso", disse o velocista norte-americano Jason Lezak. "Obviamente, há novas leis agora nesses 15 anos que eu estou na natação, por isso espero que as pessoas possam aprender com isso e seguir em frente. Mas agora eu não acho que há um muita gente feliz".

"Estou convencido, é um campeão, não importa o que aconteça. É o sistema que não funciona, e é isso que me preocupa", disse o italiano Filippo Magnini. "Eu vou nadar contra ele e eu vou apertar sua mão e tentar vencê-lo, como eu sempre faço, mas isso criou um perigoso precedente", completou o bicampeão mundial.

"Eu sempre fui avisado que quem comete um erro, se é pequeno ou grande, indireto ou involuntário, terá que pagar por isso", acrescentou Magnini. "Somos continuamente testados e precisamos comunicar onde estamos e em que momento. É sempre estressante e então você vê que é tudo em vão porque não há punição. Eles também atingiram Cielo, porque eu não sei como ele vai se apresentar".

Diretor executivo da Fina, Cornel Marculescu disse ter feito todo o possível para resolver o caso de Cielo, e que a decisão do CAS tinha que ser aceita. "Nós temos dito sempre aos nadadores, 'Tenha cuidado quando você tomar um suplemento, porque você nunca sabe o que você está tomando. Você não sabe o que está dentro'", disse. "A gama é enorme, de uma advertência a dois anos, e eu entendo que existem nadadores, atletas e pessoas que não entendem por que se dá seis meses para um e dois anos para outro", acrescentou.

De acordo com Andrew Pipe, o presidente da comissão de controle antidoping da Fina, a criação de um passaporte biológico é a única maneira de detectar o uso de substâncias proibidas. Os passaportes biológicos contêm continuamente atualizados os perfis de sangue dos atletas e já é utilizado no ciclismo. Variações desse perfil poderiam indicar doping. "A proposta de uma espécie de um programa de passaporte biológico da Fina está agora sendo ativamente considerado, e estou confiante de que progresso será feito nessa direção", disse.

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