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Jogos 2016

“Nanicos” procuram a fórmula do crescimento

Modalidades como rúgbi, golfe, hóquei sobre a grama e badminton buscam se estruturar no país para a disputa da Olimpíada no Rio. A missão não parece das mais facéis

Equipe  de Badminton do Clube Curitibano: trabalho a longo prazo para popularizar a categoria no país | Antonio Costa/Gazeta do Povo
Equipe de Badminton do Clube Curitibano: trabalho a longo prazo para popularizar a categoria no país (Foto: Antonio Costa/Gazeta do Povo)
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Alunos do projeto Vivendo o Rugby, durante treino em Curitiba

Veja o passo a passo para o sucesso dos esportes |

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Veja o passo a passo para o sucesso dos esportes

"Não é preciso inventar a ro­­da." A constatação é do pre­­siden­­te da Confederação Bras­­i­leira de Golfe (CBG), Rachid Orra, sobre o que a modalidade precisa para, em sete anos, passar de "esporte nanico" a um concorrente de destaque e, quem sabe, uma potência mundial. Sete anos é o prazo que golfe e outras modalidades do se­­gundo escalão esportivo terão para se fortalecerem até os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.

Jogando em casa, todos querem chegar à Olimpíada com mais prestígio do que têm hoje. A receita, garantem dirigentes esportivos, é fácil e baseia-se no que já rendeu bons resultados.

Entre as ações obrigatórias, contratar técnicos estrangeiros. "Se uma modalidade quer fazer um campeão mundial, tem de ter o melhor em conhecimento do esporte, tem de ter o seu Oleg", ensina a ex-presidente da Confederação Brasileira de Ginás­tica (CBG), Vicélia Florenzano, re­­­fe­­­rindo-se ao técnico ucraniano Oleg Sta­penko, um dos trunfos da sua gestão.

A Argentina será a fonte de treinadores para hóquei sobre a grama, golfe e rúgbi. Este contará com franceses e com a África do Sul. O polo aquático vai im­­portar quatro técnicos vindos da antiga Iugoslávia (Croácia, Sérvia e Montenegro).

O badminton vai ainda mais longe: quer no Brasil treinadores da China e da Indonésia. "Vamos usar o conhecimento estrangeiro para formar nossas comissões técnicas. O segredo é criar estrutura para que ne­­nhum atleta precise treinar fora do Brasil", diz o presidente da Confederação Brasileira de Badminton (CBBd), Celso Wolf Júnior.

Alto rendimento

Os demais passos também estão delineados pelas Confederações. A proposta do polo aquático é criar uma seleção permanente com 35 no masculino e 35 no feminino, com faixa etária de 17 a 20 anos.

"Tem muita gente falando que é hora de pensar em aumentar o número de praticantes para o Rio 2016. No nosso caso, o foco é quem já está no alto rendimento", fala o coordenador técnico da modalidade na Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Ricardo Cabral.

A mesma estratégia é adotada pelo badminton e hóquei na grama. Apenas os esportes "calouros" – golfe e rúgbi, que voltam ao programa dos Jogos em 2016 – planejam ações de ampliação da base de praticantes com vistas ao Rio.

"Ainda estamos muito elitizados. Queremos o golfe nas escolas e criar campos públicos e semi-públicos. Um garoto que conhece o golfe agora, daqui a sete anos pode ser um campeão", fala Orra.

Modelo de excelência

O êxito da revolução da ginástica nacional inspira os planos futuros dos esportes "menores". A reunião dos melhores atletas em um Centro de Excelência para treinamentos permanentes – ou em períodos pré-determinados – foi o modelo da CBG e que as confederações almejam.

"Queremos um centro nacional de alto rendimento. Mas é uma demanda que depende da receptividade de prefeituras para implantar o projeto", conta o presidente da Associação Brasileira de Rugby (ABR), Aluízio Dutra Junior.

A Confederação Brasileira de Hóquei na Grama (CBHG) aposta, ainda, em maior representatividade. Hoje formada por três federações (catarinense, carioca e paulista), quer mais entidades pelo país.

Um empecilho para repetir o sucesso da ginástica pode ser o tempo hábil. Vicélia esteve à frente da CBG por 18 anos. Os "pequenos" de hoje terão menos da metade do tempo para fazerem suas revoluções.

Além de investimento técnicos e estrutura física, lembra Vicé­­lia, pensar na motivação do atleta é indispensável. "Já foi o tempo que o atleta se contentava com a medalha. Quer ser recompensado. Por isso é preciso buscar re­­cursos. E traçar metas ousadas a serem alcançadas", diz.

Sem recursos, modalidades pedem ajuda

Pouca ou nenhuma verba pública, falta de investimento privado e muitas ideias que dependem de dinheiro para se concretizarem. Eis o impasse que os esportes nanicos têm de resolver para que seus planos de crescimento saiam do papel.

Os (re)estreantes rúgbi e golfe contam com a afirmação do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzmann, de que as duas modalidades receberão, a partir do ano que vem, repasse da Lei Piva (que destina 2% da arrecadação das loterias à instituição).

"Já sabemos os valores que precisamos investir, precisamos saber quanto vamos receber. Divulgar cifras, só depois de sentar com o Nuzmann e ele conhecer nosso projeto", diz o presidente da ABR, Aluízio Dutra Ju­­nior. A previsão é de que o encontro ocorra nesta semana.

Badminton e hóquei na grama já são beneficiados pela lei. Mas, ainda sem resultados internacionais expressivos, estão entre os esportes que recebem os menores valores, estimado para 2009 em R$ 800 mil. Mesmos números de Levantamento de Peso, Tiro com Arco e o Pentatlo.

Situação mais estável é a do polo aquático, sob o gerenciamento da CBDA, que recebe da lei federal R$ 2,5 milhões e tem o patrocínio dos Correios. "Desde o ano passado tivemos um aumento no valor que a Confederação destina ao polo aquático. Hoje temos cerca de 40% (equivalente a R$ 1 milhão) do que a CBDA tem da Lei Piva. Pretendemos também conseguir recursos da Lei de Incentivo ao Esporte para manter esse projeto de sete anos", re­­vela o coordenador técnico da modalidade, Ricardo Cabral.

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