
Após seis meses morando na Itália, esquecido nas convocações da seleção brasileira, amargando a reserva e deixando o Atlético sem rumo na camisa 1, o goleiro Neto garante que, mesmo assim, tomou a decisão certa na carreira.
Apesar de não ter jogado nem uma partida sequer como titular da Fiorentina, o arqueiro não vacila ao falar sobre a opção de jogar no futebol europeu. "Não me arrependo de forma alguma. Sempre foi o meu sonho jogar na Itália, estou muito feliz e espero crescer ainda mais", afirma ele, que passa as férias do calendário europeu no Brasil, em conversa com a reportagem da Gazeta do Povo.
Com 21 anos, e agora com um corte de cabelo mais vertical, Neto assumiu que foi para o Velho Mundo esperando estourar no mercado internacional, mas teve de se conformar em ficar no banco de reservas no Campeonato Italiano. "Eu tive de ter uma paciência muito grande para me adaptar o mais rápido possível", confessa.
A falta de participação em jogos oficiais fez com que o goleiro, que tinha sido chamado três vezes pelo técnico Mano Menezes no ano passado, fosse esquecido nas duas últimas listas da seleção. Algo que o próprio jogador considera normal, mas que espera mudar já na nova temporada europeia, que começa em agosto.
"Eu tenho muita fé de que quando começar a jogar, as coisas vão voltar ao caminho em que estavam antes, quando deixei [o Atlético]", diz ele, que se desligou do Furacão logo após o fim do Brasileirão-10.
Para Neto, mesmo que tivesse ficado no Furacão, o fato de o Paranaense não ter visibilidade em termos nacionais também faria com que ficasse atrás de Jefferson, Victor e Júlio César (os dois últimos convocados para a Copa América). "Se eu estivesse jogando na Fiorentina talvez ganhasse uma chance", aposta.
Por outro lado, neste ano, enquanto o goleiro tentava se firmar em Florença, o Atlético seguiu em busca de um camisa 1 confiável. Quatro arqueiros foram testados (a missão de substituir o ex-xodó da torcida pertence atualmente a Márcio), colocando de certo modo em xeque a negociação, que gerou 3,5 milhões de euros aos cofres do clube (cerca de R$ 8 milhões), ao Rubro-Negro. A transferência também foi um duro golpe no sistema defensivo do time que tinha se destacado em 2010 e não foi mais o mesmo. Além de Neto, o setor perdeu o volante Chico para o Palmeiras e o zagueiro Rhodolfo para o São Paulo.
Diante da instabilidade dos sucessores, Neto lembra que a sua permanência não significaria necessariamente um setor mais seguro. "Eu achei que no momento era o melhor que poderia fazer pela minha carreira. Talvez se tivesse ficado e o time não fosse bem, teria sobrado para mim, do mesmo jeito que sobrou para os outros", argumenta.



