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Muro pichado na sede social da Avenida Kennedy, onde fica a presidência do Paraná: humilhação verbalizada | Hedeson Alves/ Gazeta do Povo
Muro pichado na sede social da Avenida Kennedy, onde fica a presidência do Paraná: humilhação verbalizada| Foto: Hedeson Alves/ Gazeta do Povo

Entenda o caso

Saiba como Aquilino Romani se tornou empresário de jogadores do clube que dirige:

Início

Em janeiro de 2010, a Invest Esporte, através do conselheiro paranista Renato Trombini, adiantou entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões ao Paraná para pagamento de dívidas urgentes. Em troca, recebeu porcentuais de vários atletas das categorias de base.

O sócio

Em maio do mesmo ano, a empresa tem início de atividades oficial, com registro na Junta Comercial. Na certidão simplificada da empresa, Aquilino Romani aparece como sócio com a segunda maior participação, 20%.

Crescimento

Em outubro, a Invest Esporte compra 25% dos direitos econômicos de mais 21 atletas, fatia que pertencia ao empresário Marlo Litwinsk, ex-sócio da BASE – grupo que tem 50% dos jogadores formados no clube. Várias jogadores são os mesmos da transação feita com o Tricolor.

Justificativa

De acordo com Romani, a empresa foi formada para oficializar ajudas ao Tricolor. O dirigente justifica que, embora tendo 20% do capital da Invest, teria participação efetiva apenas no atletas Luís Camargo e Murilo. Mesmo apresentando um claro conflito de interesses, o negócio foi aprovado pelo Conselho Deliberativo do Paraná.

Diretoria promete "melhorias"

Mais de três dias depois do episódio mais vergonhoso da história paranista, nenhuma medida ad­­mi­­nistrativa veio a público. Por en­­quanto, várias reuniões foram realizadas pela diretoria do Paraná, mas nenhuma decisão foi divulgada.

Leia matéria completa

  • O presidente Aquilino Romani deixou o cargo de presidente do Tricolor

Na venda de Kelvin ao Porto, a fatia da Invest Esporte – empresa na qual o presidente Aquilino Romani tem 20% do capital social – seria suficiente para quitar todo o aporte financeiro feito por ela no Paraná em janeiro de 2010 com o intuito de "ajudar o clube".

De acordo com o presidente do Conselho Deliberativo do Tricolor, Benedito Barboza, a venda da revelação aos portugueses teria rendido ao todo cerca de R$ 7 milhões.

Quando Romani assumiu o Paraná, a Invest Esporte repassou ao clube entre R$ 1 mi­­lhão e R$ 2 milhões para o pagamento de dívidas. Com isso, tornou-se parceira nos contratos de vários atletas das categorias de formação. Apenas em relação a Kel­vin a participação seria de 30% – mais 25% foram adquiridos com a compra dos direitos que eram de Marlo Lit­winski, ex-sócio da Base, empresa parceira do Tricolor na ad­­mi­nistração do CT Ninho da Gralha.

"A Invest Esporte tem alguns jogadores, pois o [Renato] Trombini [conselheiro paranista e diretor-presidente da GSM, sócia majoritária da empresa] aportou um di­­nhei­ro e ficou com um porcentual", admitiu Romani, em entrevista na semana passada. O dirigente não se manifesta desde a queda do time para a Segunda Divisão pa­­ranaense, concretizada no sábado.

Só a fatia de Kelvin repassada pelo Tricolor supera o valor do aporte. Os 30% equivaleriam a R$ 2,1 milhões da transação realizada com o Porto.

Pelas cifras, foi um grande negócio para o grupo – não para o clube. Na tentativa de justificar o acerto, durante o período de apuração da reportagem, os dirigentes afirmaram que Kelvin, assim co­­mo o restante dos atletas envolvidos, tinha futuro incerto.

"Na hora, quando foi feita a negociação, o Kelvin era um jogador comum e igual a qualquer outro", falou Romani. "Pode ser que o Dieguinho dê [certo], mas tem muitos que não deram certo. De vinte e poucos vai dar certo dois, três. Tomara que... Para o Paraná é bom que deem todos, né?", disse.

O negócio foi aprovado pelo Conselho Deliberativo, que tem o mesmo argumento. "Se ele [Kelvin] fosse uma coisa certa, teríamos feito os melhores contratos do mundo com esse menino [...]. O momento que o Kelvin despontou foi no final do ano passado, ali começaram a aparecer todos os interesses no atleta. Mas se fosse em janeiro do ano passado, pelo amor de Deus!", discursou Barboza.

Porém matéria da Gazeta do Povo publicada em 10 de janeiro de 2010 – época na qual o Tricolor vendeu 30% do garoto à Invest, já apontava que o jogador, então com 16 anos, era promissor. A reportagem, com uma foto grande do prata da casa, tinha o título "A joia secreta do Ninho da Gralha".

Entre outras coisas, o texto contava que o garoto havia sido cortado do time que disputaria a Taça São Paulo exatamente para não chamar a atenção de empresários.

Romani, quando procurado, afirmou categoricamente que – mesmo sendo o segundo principal sócio da Invest – não tem participação no lucro dela, exceto nos casos do lateral-direito Murilo e do volante Luiz Camargo. Na campanha para a presidência, em 2009, ele havia prometido que em sua gestão as ajudas ao clube não en­­volveriam a cessão de atletas.

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