
Ney Franco estava orgulhoso: aos 44 anos, recebeu na manhã de ontem a confirmação de um convite especialíssimo, possivelmente o maior de sua carreira, que tem passagens por Ipatinga, Flamengo, Atlético, Botafogo e Coritiba. Vai ser o técnico da seleção brasileira sub-20 e coordenador das categorias de base da CBF, preparando o terreno para Mano Menezes tentar a primeira medalha de ouro olímpica do país nos Jogos de 2012, em Londres. E, claro, acertar a base para a Copa de 2014.
A notícia, que pegou a todos de surpresa em especial a comunidade coxa-branca vinha sendo guardada a sete chaves há 20 dias.
O motivo da demora no acerto foi o mesmo que o levou a recusar propostas de Cruzeiro, Goiás e Corinthians. "O principal era que eu pudesse fechar a temporada no Coritiba", disse o treinador, em meio a um mar de repórteres no CT da Graciosa. Ney fecha seu trabalho no Coxa no dia 27 de novembro, contra o Guaratinguetá, em casa (quiçá classificado para a Série A). No dia seguinte, assume oficialmente o cargo na CBF. "É um sonho trabalhar na seleção. Já temos um desafio em janeiro, que será o Sul-Americano, que dá duas vagas", disse o técnico, pensando na classificação para a Olimpíada.
Mano Menezes o indicou para a função. "A escolha do Ney foi em direção a um profissional que tem a capacidade mais ampla de não ser só o técnico da sub-20, mas de fazer uma coordenação bem próxima da principal. Queríamos uma linha de conduta", disse o técnico da seleção brasileira na entrevista coletiva em que anunciou o convite ao técnico do Coxa. "Eu assumo as duas posições, como treinador da sub-20 e também já faço o gerenciamento das comissões técnicas e os profissionais que vão trabalhar na base da CBF", contou Franco.
Com isso, o Coxa deve perder para 2011 funcionários como o preparador físico Alexandre Lopes e o auxiliar-técnico Moacir Pereira, que acompanhariam o treinador no novo projeto. Também há a possibilidade de Marquinhos Santos, técnico dos juniores do Coritiba, ganhar uma chance.
Para o Alviverde, um misto de sensações. "É um orgulho para o Coritiba ceder seu treinador à seleção brasileira. Claro que estamos tristes com a saída, mas o Ney é um profissional de muito caráter e merece a oportunidade", disse o vice-presidente Vílson Ribeiro de Andrade, que ainda acha prematuro pensar em substituto: "Primeiro, o retorno para a Série A", disse.
Franco garante prioridade ao Coxa. "Eu não preciso me ausentar do Coritiba para esse trabalho, que envolve mais contatos telefônicos e observação."
Será a segunda vez que um técnico em atividade no futebol paranaense deixará o clube para trabalhar na CBF. Em 2000, Antônio Lopes trocou o Atlético pela coordenação da seleção principal, que chegou ao penta com Luiz Felipe Scolari em 2002.
Ney Franco agora tentará manter a fama de pé-quente do futebol do estado. Mesmo que não consiga, deixará uma marca de dedicação e profissionalismo: "A CBF apostava no meu nome, respeitaram meu momento no Coritiba. Faltam 15 rodadas, estamos indo bem, mas o campeonato é complicado ainda", afirmou, mineiramente contendo a alegria.



