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Niehues supera transição tumultuada e cumpre exigência tática da diretoria

Acusado de traição por Antônio Lopes, novato treinador começa a esboçar o time ousado cobrado pela cúpula. Ex-colegas de trabalho exaltam o estilo da aposta rubro-negra

Falta de peças de qualidade no elenco pode atrapalhar o trabalho do técnico Leandro Niehues no Atlético | Antonio Costa/ Gazeta do Povo
Falta de peças de qualidade no elenco pode atrapalhar o trabalho do técnico Leandro Niehues no Atlético (Foto: Antonio Costa/ Gazeta do Povo)

Após a tumultuada transmissão de cargo na terça-feira, o técnico Leandro Niehues começou a pôr em prática a exigência da diretoria atleticana: montar um Atlético mais ousado, ofensivo e que brigue pelo título paranaense. O substituto de Antônio Lopes, que deixou o clube insinuando um complô para derrubá-lo, tem condições de cumprir a missão.

A opinião é de quem já trabalhou com o novo comandante rubro-negro, eleito o melhor treinador do Paranaense 2009, pelo então J. Malucelli.

"Acho que ele sabe muito bem o equilíbrio entre a parte ofensiva e defensiva. Taticamente é bastante qualificado. Se aqui, em uma equipe menor, fez um bom trabalho, imagine lá no Atlético com jogadores de qualidade e uma estrutura melhor", avaliou o jogador Cícero, capitão do Corin­­thians-PR e que trabalhou por dois anos com Niehues.

O jogador garantiu que o treinador dá confiança e explora bem o talento dos seus comandados. Habilidade exigida pelo presidente atleticano Marcos Malucelli. "Qualidade o grupo tem, cabe ao treinador extrair o melhor", disse o dirigente ao enumerar alguns dos motivos para demitir o De­­legado.

O colunista da Gazeta do Povo Airton Cordeiro, entretanto, ressaltou carências no elenco capazes de atrapalhar o trabalho de Niehues. "O considero competente e em busca de uma prova de fogo. Mas não adianta tudo isso com um grupo fraco. Não tem atacante, lateral-direito de qualidade. Os estrangeiros são fracos", ponderou.

Outra incumbência do recém-empossado é garantir uma postura mais ofensiva ao Atlético. Ser pressionado em casa, como no clássico de domingo, foi o vacilo derradeiro de Lopes na opinião de Malucelli. "Havia 20 mil pessoas apoiando na Arena e o time não tinha força para reagir. Quem tinha de se defender era o Coritiba. O Campeonato Paranaense é fraco e se resume a dois clubes, Atlé­­tico e Coritiba, e eventualmente algum outro, buscando o título. É isso que queremos", cobrou o presidente.

O auxiliar do Timãozinho, Sandro Forner, por quase dois anos ao lado de Niehues, acha que isso é possível. "Não conheço o trabalho do Lopes. Mas taticamente o Atlético vai melhorar bastante. O Leandro gosta do 3–5–2. Isso no papel. Durante o jogo ele trabalha diversas variações, como o 3–5–2 quando ataca e uma linha de cinco quando se defende. Com certeza sabe armar bem o time. Mas precisa de tempo para impor esta filosofia", ressaltou.

Para Niehues, não cabe improviso na parte defensiva, já os atacantes terão mais liberdade. Por enquanto, porém, ainda não adiantou como será o Atlético contra o Iraty. "Vou fazer o melhor até sábado. Não é questão de o seu time ser defensivo ou ofensivo e isso é o próprio jogo que diz. Gosto de um trabalho dinâmico e bem próximo da realidade do jogo, mas não é hora de inventar muito", concluiu.

Além da parte tática, o antigo comandado Cícero, defendeu Leandro quanto às suspeitas de Antônio Lopes de que o ex-auxiliar e o diretor de futebol Ocimar Bolicenho teriam armado a sua saída. "Li isso na imprensa e fiquei surpreso. O conheço bem e não acredito nisso. Devem estar usando o nome dele", disse.

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