
O Atletiba de amanhã começou, no mundo real, assim que o Coritiba saiu da derrota para o Grêmio e o Atlético venceu o Santo André, no domingo passado. No mundo virtual, uma prévia do clássico foi realizada na quarta-feira passada, na sede da Federação Paranaense de Futebol Digital (FPFD), no Centro de Curitiba.
Os convocados para a partida foram os alviverdes Carlos Eduardo Rosar (16 anos) e André Constantino (21) e os rubro-negros Carlos Magno (23) e Rodrigo Mak (32). Eles são da seleção paranaense de futebol digital, o popular videogame, e vestiram seus uniformes para defender as cores de seus times. Com as mãos.
O plano era uma partida de 10 minutos no jogo Pro Evolution Soccer. "Vamos mostrar como vai ser no domingo (amanhã)", afirmou o coxa-branca Constantino, durante a escalação. Na tela, o Coxa deu goleada: venceu por 6 a 2. Ainda sem gols no Brasileirão, até o volante Leandro Donizete marcou o seu na partida eletrônica. Alex Mineiro e Wesley descontaram para o Furacão.
Os atleticanos pediram revanche. O segundo confronto foi mais equilibrado, porém não livrou o Rubro-Negro de novo revés: 2 a 1 para o Coritiba. Marcelinho Paraíba confirmou a sina de artilheiro dos gramados reais também na tela: fez os dois gols. Já o Paulo Baier virtual marcou em cobrança de falta, com a categoria do original.
Acostumado a comandar o time pelo controle remoto, o quarteto arriscou dicas para os técnicos Antônio Lopes e Ney Franco. Na escalação do Atlético, Magno e Mak copiaram a formação adotada nos 3 a 0 sobre o Santo André.
Magno não poupou na provocação: "Para o Furacão, é só mais um clássico. Para o Coxa, é jogo de vida ou morte". Os coxas-brancas, por sua vez, reproduziram discussões que ecoam nas arquibancadas do Alto da Glória: quem é o melhor homem de área do time atual? Escalaram Ariel, não sem antes citar Rômulo e Bruno Batata.
Fifa Soccer
A dupla Atletiba está entre os oito clubes brasileiros que concederam à EA Sports, produtora do jogo Fifa Soccer, licença para que suas marcas sejam usada no software. O valor do pago em royalties não é divulgado por exigência contratual.
"Nosso trabalho é mandar detalhes dos três uniformes e logos do time. O resto, é com a EA Sports", conta o analista de licenciamento do Atlético, Jackson Luís Mattos.
O maior benefício, destacam os clubes, não é a renda e sim a exposição da marca. "Fortalece nossa imagem e favorece a internacionalização do clube", afirma o gerente de Marketing do Coritiba, Roberto Pinto.
Quem também tem contrato vigente com a produtora do game são Atlético-MG, Botafogo, Cruzeiro, Flamengo, Palmeiras e São Paulo. Outros grandes, como Corinthians e Grêmio não renovaram o vínculo e aparecem com nomes, escudos e uniformes em versão "genérica". O Timão é o C. Paulistano e, o Tricolor gaúcho, o G. Porto Alegre.
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Rivais, não inimigos
"Eu e a minha prima ficamos nos provocando sempre na véspera de Atletiba. Mas não passa de brincadeiras, algumas discussões sadias e piadinhas, rivalidade tranquila mesmo. Quando o Coxa está atrás do Atlético, como agora, eu brinco mais, claro... Na verdade, sou uma exceção entre os parentes, de maioria coxa-branca. Então fiquei no lado rubro-negro da família. Acabo sofrendo mais com a rivalidade dos parentes. Mas tudo bem. O Atlético vai ganhar por 3 a 0 do Coritiba."
Gabriela Luiza Carvalho, 15 anos, estudante.
"Minha melhor amiga é minha prima Gabriela. Para mim, o único defeito dela é torcer pelo Atlético! (risos). Só que nós nunca discutimos por causa de futebol, não tem isso. O que a gente faz é criticar o próprio time. E isso que eu sou alviverde há uns oito anos, comprei a camiseta e não perco uma partida no Couto Pereira. Mesmo porque se a gente começar a falar do assunto com muita empolgação, a família inteira entra no assunto. Todos da minha casa são coxas e todos da casa dela são atleticanos."
Thais Cristine de Melo Ferrreira, 18, estudante.
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