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Arbitragem

No Paraná, árbitro de futebol é sinônimo de "profissão perigo"

Levantamento do Instituto Paraná Pesquisas mostra que 38% dos árbitros e assistentes do futebol local já foram agredidos

Cartão vermelho: violência caminha lado a lado com os árbitros e assistentes de futebol | Arquivo/ Gazeta do Povo
Cartão vermelho: violência caminha lado a lado com os árbitros e assistentes de futebol (Foto: Arquivo/ Gazeta do Povo)
O árbitro José Mendonça recebe socos e pontapés dos jogadores do Urano |

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O árbitro José Mendonça recebe socos e pontapés dos jogadores do Urano

Ser árbitro ou assistente no futebol no estado é flertar com o perigo. Levantamento exclusivo aponta que 38% dos juízes ou bandeirinhas locais já foram agredidos no exercício do trabalho.

A pedido da Gazeta do Povo, o Instituto Paraná Pesquisas ouviu 131 profissionais do quadro da Federação Paranaense de Futebol (FPF), nos dias 7 e 8 de março, e o re­­sul­­tado mostrou o quanto me­­­diar partidas é inseguro nos es­­tádios da capital ou interior.

Os gritos de "vai apanhar" que ecoam das arquibancadas acabam indo bem além de uma simples ameaça de torcedores contrariados. O perigo está presente também no contato com os dirigentes e, claro, no trato com jogadores

Cenário hostil que transmite insegurança aos responsáveis por mediar o jogo. Ao todo, 31% dos ár­­bitros e assistentes disseram que não se sentem seguros no trabalho – 9% responderam "mais ou menos", reforçando o sentimento. E 55% já se sentiram ameaçados antes ou durante aos jogos.

"Faz parte da cultura do futebol brasileiro culpar sempre o juiz. Nós somos xingados antes de a bola rolar. Sabemos que há pedras na profissão, mas não podemos desistir por conta disso", lamenta José Mendonça, árbitro da FPF há três anos e personal trainner.

Em novembro do ano passado, Mendonça teve de trocar socos e pontapés com jogadores do Urano, após anular um gol da equipe pela semifinal da Suburbana de Curi­­tiba. "Poderia ter sido um problema grave se não tivesse bastante policiamento no local", relembra.

As competições amadoras são o principal foco de truculência. No circuito profissional, há mais segurança e, principalmente, punição para clubes, jogadores e/ou torcedores que perderem a linha.

"É raro algum tipo de incidente no profissional", comenta Luiz Carlos Nunes, árbitro desde 1995 e assistente de logística. Em outubro do ano passado, Nunes foi agredido por um jogador reserva do Grê­­mio Ipiranga no confronto com o Flamengo, pela Série B da Subur­­bana. Por causa disso, decidiu não renovar a inscrição este ano.

As confusões recorrentes da temporada 2011 chegaram a motivar um protesto da categoria, reclamando por segurança. No início de novembro, cerca de 50 integrantes do quadro amador da FPF assinaram um pedido de retirada da escala do fim de semana. Na oportunidade, a Polícia Militar alegou que não tinha contingente para acompanhar tudo.

Era uma reação ao incidente que mandou o assistente Julio Cezar de Lima Santos para o hospital por causa de um chute na cabeça. Ao lado do árbitro Anderson Scátola e do auxiliar Jefferson Piva, Lima foi encurralado por mais de 30 jogadores das equipes adulta e júnior do União Ahú.

Procurado pela reportagem, Afonso Vítor de Oliveira, presidente da Comissão de Arbitragem da FPF, não quis comentar a pesquisa.

"Por que querem saber da minha opinião? Quero saber quem é que disse. Não vi isso na minha gestão. Não tenho esse número nos meus arquivos. Quem falou pode ter sido [agredido] em 1.800... não me interessa", diz.

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