Em 2007, na primeira campanha de volta à Série A do Coritiba na década, o técnico René Simões notabilizou os "invisíveis". Eram atletas que não estavam nas graças da torcida, mas que ele considerava fundamentais. No primeiro triunfo alviverde nesta Série B, três anos depois, eles voltaram.
A jogada do gol da vitória sobre o Brasiliense, na terça-feira, foi feita por dois novos invisíveis. "Eu senti câimbra, eram 48 do segundo tempo. Mas resolvi dar o carrinho e ganhei a bola. Olhei o cabeção do Triguinho [risos] e joguei para ver o que dava. Só vi a comemoração da torcida", descreveu o lateral-direito Ângelo. "A alegria agora voltou ao grupo", disse um sorridente Triguinho, nem aí para as brincadeiras do colega.
As críticas da torcida e de parte da imprensa também deram um tempo. Na lateral-esquerda, poucas aparições no ataque e muita cobrança até então. Ele se explicou. "A gente trabalha como o treinador pede. Se for para ser invisível, por mim tudo bem. O que o Ney Franco pedir, vou fazer."
Ângelo também não liga para o rótulo. "Muitas vezes o Ney pede funções mais defensivas, especialmente jogando na linha de quatro. Não é que não apoio porque não quero."
Mas como futebol é resultado, a alegria só irá durar se o time conseguir um bom amanhã, 21 horas, na distante Arapiraca-AL, contra o folclórico ASA. Time desprezado pela história, mas que hoje é o sétimo colocado na Segundona, à frente do Coxa. "Eu particularmente não sei nada do time deles. Só que estão fazendo bons jogos. Mas a equipe grande é o Coritiba", afirma o lateral-direito.
O colega da esquerda faz eco. "Sabemos que eles venceram na rodada. Se entrarmos antenados, temos futebol para ir lá e buscar o resultado."
O clima para a viagem estava tão bom que Ângelo até entrou na brincadeira de atleticanos e paranistas na internet, apelidando o jogo de "clássico do frango": "Adoro frango! [risos] Asa e coxa. Mas acho coxa melhor! [risos]"



