Xangai Não foi o dia de Marta. Não foi o dia da seleção brasileira feminina. Ontem, em sua primeira decisão de Copa do Mundo, a equipe foi derrotada pela Alemanha agora, bicampeã , por 2 a 0, em Xangai.
Na derrota, a melhor do mundo em 2006 falhou na cobrança de pênalti. "Fui muito infeliz na cobrança", disse Marta. O jogo estava 1 a 0 para as alemãs e o Brasil pressionava pelo empate no segundo tempo.
Além da falta de sorte da alagoana, que encantou o mundo com sua habilidade e raça, o Brasil pecou nas finalizações e desperdiçou bolas na trave. Apesar de não conseguir impor seu jogo na decisão, Marta saiu da competição com dois troféus: Bola de Ouro (melhor jogadora) e Chuteira de Ouro (artilheira), com sete gols. A brasileira desbancou a alemã Birgit Prinz, que havia sido eleita a melhor na última edição. Na China, Prinz marcou cinco gols. Tornou-se a maior artilheira da história da competição, com 14.
Outro fator também chamou a atenção. As garotas entraram em campo apáticas. "A gente estava um pouco calada. No segundo tempo, voltamos da mesma forma. Não conversamos nem gritamos dando força uma para outra", disse Marta.
E não conseguiram reagir à forte defesa das alemãs, que encerraram a competição sem tomar um gol sequer. Angerer levou o troféu de melhor goleira do torneio.
A experiência internacional da Alemanha, que tem no país a Bundesliga, com 12 times profissionais, além de seis mil equipes femininas entre profissionais e amadoras, fez a diferença. Com o título na China, a Alemanha é forte candidata para sediar o Mundial de 2011.
Por aqui, a previsão é que ainda neste mês saia do papel a Copa do Brasil. Mas a CBF ainda faz um levantamento sobre os clubes do país para organizar o torneio.
Na cerimônia de premiação, as brasileiras aproveitaram a exposição para cobrar melhorias no futebol feminino do país. "Brasil, nós precisamos de apoio", dizia a faixa.
Marta também não economizou nas críticas. "Vamos perder de novo se as coisas não mudarem. Não podemos sair daqui novamente com promessas, como aconteceu em Atenas", disse, ao lembrar da medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 2004 e da promessa de uma Liga Nacional.
Na partida, com jogadas violentas, que não foram marcadas pela árbitra Tammy Ogston, da Austrália, a atacante Prinz, de 29 anos, mostrou por que foi eleita três vezes seguidas pela Fifa a melhor jogadora do mundo (2003, 2004 e 2005). Com frieza e técnica, ela abriu o placar aos sete minutos do segundo tempo em um cruzamento de Smizek. Aos 28, Marta cobrou o pênalti para a defesa de Angerer. Aos 41, Laudher, de cabeça, fechou o placar.
Na disputa do terceiro lugar, os EUA bateram a Noruega, por 4 a 1.



