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Rádio

O fim da Rádio Gol do Brasil

Após 73 anos, Clube extingue equipe esportiva mais tradicional do Paraná e dispensa 15 radialistas

Grevistas dos Correios fizeram passeata pelo centro de Curitiba | Hedeson Alves/Gazeta do Povo
Grevistas dos Correios fizeram passeata pelo centro de Curitiba (Foto: Hedeson Alves/Gazeta do Povo)

Há praticamente cinqüenta anos, Oldemar Kramer não sabia o que era um fim de semana de folga. Oportunidade que ele teve no último feriado de Sete de Setembro. E não quis saber. No coração e atormentando o pensamento, a tristeza o impedia de curtir o momento em que deveria estar no plantão esportivo da Rádio Clube Paranaense.

Pela primeira vez, a bola rolava à tarde e nada de "é como se você estivesse vendo no seu rádio a transmissão", nem "olha o gol" e, com as arquibancadas já vazias, o "Grande Placar" não pintou para concluir a rodada na popular B-2. No lugar, música.

"Creio que fiz a melhor jornada da minha vida", relembra Kramer, 71 anos, sobre a transmissão de Atlético e Atlético-MG, dia 2, capítulo derradeiro da Clube no futebol. Na segunda-feira seguinte, o Grupo Lúmen anunciava ter decidido fechar o setor "por questões financeiras e de posicionamento da emissora".

Sensação expressiva para quem acostumou-se a acordar cedo no domingo, comprar a carne e o carvão, assar o churrasco e com a família ainda à mesa, correr para o trabalho. Demitido, Kramer utilizou o domingo para passear com a "patroa" Dona Lurdes e almoçar fora de casa. "Não vi nada de futebol, teve jogo da seleção brasileira e nem fiquei sabendo".

Ficaram as lembranças de quase 30 anos de parceria com Carlos Kleina, uma das duplas mais famosa do plantão esportivo brasileiro. E o registro incomum na Carteira de Trabalho. Contratado como repórter no dia 1.º de julho de 1966, ele já passou no setor de recursos humanos e agora tem lá... data de saída: três de setembro de 2007.

Sem contar o inconformismo, que ainda deve maltratar por um bom tempo. "Ainda não consegui acreditar. É lamentável que uma tradição acabe assim", diz Kramer.

Reações

Após duas semanas do fim, ainda são muitas as lamentações. "Foi a morte da minha namorada no rádio", revela Aírton Cordeiro, 12 anos de Clube na carreira como jornalista esportivo. "São as conseqüências do controle de religiosos e políticos que não entendem nada sobre o meio e vendem o que lhes interessa", aponta o colunista da Gazeta do Povo e comentarista da rádio Transamérica.

"Ninguém entendeu ainda o fim dessa marca incrível que era o prefixo PRB-2. Fico imaginando o que o pessoal vai fazer, principalmente a turma mais antiga", afirma Jairo Silva, ex-titular da reportagem do Atlético agora na Transamérica.

Com Silva e Kramer, outros 13 profissionais foram dispensados – entre narradores, comentaristas, repórteres, plantonistas e técnicos. Três integrantes da equipe foram mantidos na emissora.

E entre os principais motivos da indignação, a possibilidade da estação que foi um forte referencial paranaense – em virtude de suas poderosas ondas curtas que permitam ouvi-la até fora do país – passar a veicular a programação de uma rádio paulista.

Embora as duas pontas neguem qualquer definição, é quase certo que a Clube volte ao esporte através de uma parceria com a Rádio Eldorado, de São Paulo, emissora de propriedade do Grupo Estado que transmite futebol com o canal a cabo ESPN Brasil. "Ainda não temos nada. Há uma paquera, mas até um casamento demora", declara Regiane Santos, gerente de rede da Eldorado.

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