Qualidade de vida
A qualidade de vida dos habitantes e as inovações no tocante a planejamento urbano são as principais características de Curitiba que chegam ao exterior e podem ajudar a cidade a sair na frente como candidata a sede da Copa de 2014. Em uma pesquisa realizada pela revista Exame, no ano passado, a capital paranaense ficou em terceiro lugar entre as capitais brasileiras na avaliação de infra-estrutura. Ficou atrás de São Paulo e Rio de Janeiro.
Já em levantamento da revista Viagem e Turismo, que apontou as melhores cidades do país utilizando quesitos como transporte, beleza urbana, segurança, hospitalidade, comida, compras, atrações, vida noturna e preços , Curitiba apareceu na quarta colocação. Rio de Janeiro, Florianópolis e São Paulo foram as líderes. Os dois casos são exemplos do status que a cidade vem conquistando nos últimos anos.
No futebol, tem sempre um time se destacando no Brasileiro e constantemente há uma equipe disputando também a Libertadores. O Atlético sagrou-se o primeiro campeão nacional do século 21, em 2001.
O município tem pontos turísticos modernos, como a Ópera de Arame, e antigos, como o prédio da Universidade Federal, que podem entreter os visitantes. Segundo dados de 2002 do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC), são cerca de 34 universidades e faculdades espalhadas pela região, assim como 70 hospitais com 9.102 leitos estes, dados de 2002 incluindo a Região Metropolitana. Além de dezenas de salas de cinema, a cidade tem teatros importantes como o Guaíra e alguns museus, destacandose o Oscar Niemeyer. São opções de cultura para os momentos de lazer. Estima-se que atualmente existam 18 mil leitos nos hotéis da cidade.
Sandro Gabardo
Diagnóstico
O que a Fifa exige Tradição esportiva e no futebol; Experiência em grandes eventos; Estrutura hoteleira, hospitalar, cultural e de ensino superior.
Análise Os índices de qualidade de vida da cidade estão entre os melhores do país. Tradição esportiva também não falta, com dois títulos da Série A do Brasileiro. De acordo com o grau de exigência da Fifa, pode ser necessária a ampliação da rede hoteleira.
O trunfo da capital ecológica
A reciclagem do lixo, tema que virou moda no Brasil e no mundo, já é realidade na capital paranaense desde 1991. Por sua preocupação com o meio ambiente, a cidade ganhou o apelido de "Capital Ecológica". Assim, falta de experiência em projetos ambientais não será problema na candidatura. A questão passa a ser quanto é que os organizadores estarão dispostos a investir na empreitada, que não costuma ser prioridade. O maior desafio deve ser o de encontrar meios de evitar o uso excessivo de embalagens e de reciclá-las. A limpeza dos locais de competição também devem incomodar. (SG)
Diagnóstico
O que a Fifa exige Avaliação de impacto ambiental; Objetivos, metas e prioridades de proteção ao ambiente; Informações sobre reciclagem e medidas de limpeza dos estádios; Campanha de preservação.
Análise O pioneirismo no programa de separação do lixo e reciclagem indica a habilidade da cidade para lidar com dejetos. Qualidade importante para saber o que fazer com a montanha de lixo a ser produzida especialmente no estádio.
Clima atrai europeus
O inverno curitibano é conhecido pelas temperaturas mais amenas do país. Nos últimos cinco anos, a média não passou de 17°C em maio de 2005. Julho é normalmente o mês mais frio, ficando em torno de 14°C entre 2002 e 2006. Em média, o ápice de calor diário variou entre 17°C e 22°C. Os números podem ser considerados favoráveis aos jogos, sem desgaste excessivo e sem frio exagerado.
De outro lado, as freqüentes chuvas entre maio e agosto podem prejudicar as partidas, já que os estádios da cidade não são cobertos. Nos últimos cinco anos, maio e julho tiveram precipitações em cerca de 10 dias cada um terço do mês. Junho e agosto, por sua vez, apresentaram ao menos uma semana de chuvas como média.
Com o vento em Curitiba com velocidade oscilando entre 5 e 7 km/h e a altitude irrelevante para a prática do esporte (934 m), falta apenas a umidade do ar para completar o questionário climático da Fifa. A média apontada pelo Simepar está dentro do normal, entre 70 e 80%. O aspecto que poderia ser negativo está na máxima registrada: 100%. Isso porque em locais muito úmidos o corpo tem dificuldade para eliminar o calor por meio do suor. Mas, como a temperatura nesta época é amena, isso não deve interferir no desempenho dos jogadores. (SG)
Diagnóstico
O que a Fifa exige informações sobre níveis de umidade e temperatura no período e horário dos jogos
Análise A temperatura amena é um grande atrativo para seleções européias. Por outro lado, a ocorrência de chuvas e a combinação entre frio e névoa em jogos noturnos podem se tornar um problema.
Os nós da segurança
A Secretaria de Segurança Pública do Estado do Paraná (SESP-PR) não divulga informações sobre a criminalidade em Curitiba. A alegação é de que os dados atuais ainda estão sendo levantados. Resta recorrer à sensação dos curitibanos, que faz tempo não se sentem seguros em andar pelas ruas, com medo de assaltos ou dos cada vez mais comuns seqüestros-relâmpago. E nem é preciso estar na calçada. No levantamento mais recente da Urbs, de 2004, nove ônibus eram assaltados diariamente na região.
Para o tenente-coronel Roberson Bondaruk, especializado em desenvolvimento urbano sustentável em segurança pública, o nível de violência na capital é considerado aceitável diferentemente do que se vê em São Paulo e Rio de Janeiro , e não serve para descredenciar a cidade como sede do Mundial. Para o comandante do regimento de polícia montada, Curitiba está preparada para lidar com um evento de grande porte sem a necessidade de gastos astronômicos.
Como exemplo, cita dois casos. "Recebemos o COP-MOP (Convenção sobre diversidade biológica da ONU) e uma convenção da Abav (Associação Brasileira de Agências de Viagem) que tinha 60 países representados. Fomos elogiados pela estrutura de acolhimento nos dois casos", conta.
A palavra-chave para dar conta do recado é intensidade. De acordo com o especialista, não é preciso criar nada novo, apenas reforçar o que já existe. A exceção seria a organização de um centro de atendimento ao estrangeiro, com profissionais fluentes nos principais idiomas. No mais, basta encorpar a estrutura já existente.
O patrulhamento no aeroporto, nas cercanias dos hotéis, nos pontos turísticos, nos terminais de ônibus e até dentro dos coletivos teria de ser reforçado. "Com uma escala diferenciada durante o evento e a utilização de policiais de outras regiões, não seria preciso contratar ninguém só por causa da Copa", avalia.
As centrais de rádio e o atendimento médico feito por Siate e Samu também precisariam de reforço. Uma das despesas fundamentais para o sucesso da operação estaria no treinamento dos policiais para casos especiais, como um atentado terrorista.
Pesa a favor da cidade a ausência de tumultos nos estádios nos últimos anos. A última batalha campal ocorreu em 1999.
O tenente-coronel tem na ponta da língua a estratégia para manter a ordem nas arquibancadas. "O ambiente é comprovadamente um determinante do comportamento das pessoas e o futebol já coloca as emoções à flor da pele. Por isso, o estádio é fundamental. Tendo um estádio limpo, confortável e que transpareça segurança, as ocorrências serão minimizadas", diz, citando que atualmente apenas a Arena tem condições de receber uma competição internacional de peso segundo avaliação da Comissão Paz no Esporte, que envolve o Ministério da Justiça e o Ministério do Esporte.
Somado a isso, ele sugere um controle de acesso rigoroso para evitar superlotação, planejamento e divulgação antecipada de onde ficará cada torcida, sinalização adequada na praça esportiva, bilheterias suficientes para evitar filas, além de policiamento em número proporcional. (SG)
Diagnóstico
O que a Fifa exige Definição de zonas de proibição de vôos sobre os estádios em dias de jogos; Informações sobre a estrutura policial do estado e município; Avaliações especializadas sobre risco de distúrbios civis, índice de criminalidade, riscos de catástrofes naturais e ataques terroristas; Detalhes sobre distúrbios de larga escala em eventos esportivos nos últimos dez anos
Análise A violência é crescente como em todo o país, mas não chega a níveis críticos como no Rio e em São Paulo. Seria necessário treinar os policiais para situações extremas, como o caso de atentado terrorista.



