Quando Maurren Maggi foi treinar com Nélio Moura, há 14 anos, a imaginação do técnico não passou nem perto do momento que viveu ontem. A atleta tinha desempenho normal entre as juvenis. Era boa, mas, na avaliação do treinador, não o suficiente para um dia ser uma campeã olímpica.
"Só dois anos depois vi que ela poderia ser top do mundo", conta Moura, que, por tabela, conquistou o seu segundo ouro olímpico em Pequim. O outro veio do pupilo panamenho Irving Saladino, que venceu o salto em distância e também subiu no lugar mais alto do pódio olímpico.
Mas se o técnico demorou para apostar na menina, agora garante que Maurren ainda terá um novo ciclo olímpico, que culminará nos Jogos de Londres. "Muita gente achou que, com 32 anos, seria tarde para ela. Mas ela está aí, é campeã olímpica. Já vi muita gente com 36 anos estar no topo", analisa.
"Já vim para cá pensando em Londres. Tenho o sonho de disputar mais uma Olimpíada. Não digo mais uma medalha. Mas amo muito o que faço e vou batalhar muito para estar lá", completa a medalhista.
Durante a prova de ontem, Maurren e Nélio conversavam a cada salto. Tentavam melhorar a corrida em busca de uma marca ainda melhor do que o primeiro pulo da brasileira. Não foi necessário.
"Ela tem essa característica, não deixa nada para depois. Mas eu sabia que, se ela precisasse, estaria preparada para o salto no final", diz o treinador, que também lembra das dúvidas que teve no retorno da atleta. "No ano em que ela voltou, nós também tí-nhamos dúvida. Eram quase 3 anos parada. Mas depois da primeira temporada já dava para ver que ela ia voltar a ser uma das melhores do mundo. Só nesse ano, no começo de 2008, foi que a gente começou a pensar nessa possilidade de ela ser campeã olímpica". (MR)



