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Natação

Cielo define a próxima meta: quebrar o recorde mundial

Brasileiro queria baixar em um centésimo a marca do australiano Eamon Sullivan. Antes do próximo objetivo, contudo, o campeão olímpico quer descansar com a família no interior de São Paulo

César Cielo em dois momentos logo após a vitória em Pequim: com a medalha que ele só depois foi descobrir que era da prova feminina e depois com a sua e festejado pelos companheiros da equipe brasileira de natação | Fotos: Jonathan Campos, enviado especial/ Gazeta do Povo
César Cielo em dois momentos logo após a vitória em Pequim: com a medalha que ele só depois foi descobrir que era da prova feminina e depois com a sua e festejado pelos companheiros da equipe brasileira de natação (Foto: Fotos: Jonathan Campos, enviado especial/ Gazeta do Povo)

Pequim - O próximo objetivo de César Cielo Filho, o primeiro nadador brasileiro a conquistar uma medalha de ouro em Olimpíadas, será a quebra do recorde mundial dos 50 metros livre. Na cabeça do atleta, isso já era para ter acontecido na piscina de Pequim.

Depois de muito se esquivar, Cielo revelou qual o tempo espera fazer para tomar para si a marca. Aquele que deixa em um quadro no seu quarto, na Universidade de Auburn, nos Estados Unidos, e na China acabou em um pedaço de papel pendurado na parede: 21s27.

Com a marca ambicionada, Cielo atravessaria a piscina um centésimo mais rápido que o recorde mundial – 21s28, do australiano Eamon Sullivan. Venceria a si mesmo na prova olímpica por outros três centésimos de segundo – o tempo feito na final, recorde olímpico do brasileiro, foi 21s30.

"Era o que pretendia, mas fiquei um pouquinho acima", afirmou, para depois arriscar uma rápida previsão. "Nos 50 metros não há limite. Com esses centésimos que vamos baixando, com certeza daqui a pouco estaremos na casa dos 20 segundos."

Antes, no entanto, Cielo quer esquecer um pouco o seu mundo. Vai fazer um verdadeiro retiro em Santa Bárbara do Oeste, sua cidade natal, no interior de São Paulo. Ficar com a família, trancado em casa, vendo filmes.

"Quero esquecer um pouquinho de ser atleta. Descansar, curtir a família, tomar refrigerante, comer porcaria e assistir a filmes", disse.

Com a medalha no peito, o nadador enumera dois fatores fundamentais para que tenha obtido o ouro: o apoio da família e a presença de seu técnico, australiano Brett Hawke, em Pequim. Logo depois lembra de um terceiro: o bronze nos 100 metros.

Até a final da prova mais nobre da natação, tudo estava ruim, ele se sentia irritado. Chegou a discutir com o treinador quando este disse que achava que o pupilo tinha chance de brigar por uma medalha.

"Vou brigar para não passar vergonha", foi a resposta que Hawke ouviu.

Mas, incrivelmente, na hora da prova o nadador se soltou. "Estava na raia oito, muito insatisfeito com o meu tempo nas semifinais. Mas me concentrei apenas na minha raia. E quando vi o resultado, tudo mudou. Passei o dia sorrindo, logo à tarde bati recorde olímpico. E foi assim, quando você está com uma energia positiva parece que tudo conspira a favor", relembra.

O atleta sofre de miopia, e passou por duas situações engraçadas logo após a final dos 50 m. Ao concluir a prova, na primeira vez que olhou para o placar, se viu em primeiro e chegou até a desconfiar, só acreditou quando retirou os óculos da natação.

"Como não enxergo direito, tive de tirar os óculos para ter certeza. Daí, a primeira coisa que pensei foi: ‘Sou campeão olímpico’. Não há como definir essa sensação."

Depois, na hora da premiação, ao receber a medalha de ouro, viu que alguma coisa estava estranha, mas só percebeu realmente o que era a caminho do vestiário: havia recebido a medalha destinada à prova feminina. "Tive de ir lá trocar, mas agora está tudo certo."

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