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Vôlei

De novo na final, Bernardinho desabafa e indica saída pós-Pequim

Após vitória sobre a Itália, treinador reclama daqueles que “não têm moral para julgar” a sua equipe. Decisão é amanhã, com os EUA

Bernardinho disse que só continua na seleção após Pequim se houver um pacto pela permanência do grupo atual. | Fotos: Jonathan Campos. enviado especial/ Gazeta do Povo
Bernardinho disse que só continua na seleção após Pequim se houver um pacto pela permanência do grupo atual. (Foto: Fotos: Jonathan Campos. enviado especial/ Gazeta do Povo)

Bernardinho nem esperou o time ser bicampeão olímpico para desabafar. Ontem, após a vitória do Brasil de virada por 3 sets a 1 sobre a Itália (25-19, 18-25, 21-25 e 22-25), resultado que levou a equipe à decisão do título, amanhã, à 1 hora (de Brasília), contra os Estados Unidos, o treinador bateu com força nos críticos. "Somos um Brasil autofagista. Se a gente perdesse a semifinal, tudo seria esquecido. Bye-bye sete anos", disse, iniciando o discurso de protesto.

Incomodado com a série de críticas que acompanharam a seleção após a inesperada perda do título da Liga Mundial, cuja fase final foi disputada no Rio de Janeiro, o treinador deixava visível no seu semblante – sempre tenso durante os jogos em Pequim – que havia algo de errado. Era a angústia de quem se sentia pressionado por "quem não tem moral para julgar".

"É horrível. Ninguém deu nada para a gente e se acham no direito de criticar. Se perdêssemos hoje (ontem), pressão, Ricardinho (levantador cortado às vésperas dos Jogos Pan-Americanos, no ano passado, por ter batido de frente com o técnico), tudo voltaria à tona", ressaltou. "Me chamaram de traidor, nepotista e tudo mais. Só tenho esta cara de novinho, mas estou cansado", acrescentou, permitindo-se a um breve momento de descontração.

Bernardinho não sabe o que será do seu futuro após o duelo com os americanos. Ao mesmo tempo em que acena para a possibilidade de continuar mais um ciclo olímpico dirigindo a seleção, diz que gostaria de passar pelo menos seis meses estudando em uma universidade no exterior – e resolvendo problemas particulares.

"Se houver um pacto (com os jogadores), acho muito difícil não ficar. Quem sair vai sentir muita falta disso tudo", comentou, sem revelar qual o teor do pacto que o faria prosseguir com o trabalho, iniciado em 2001 e marcado pela conquista de inúmeros títulos, entre os quais o bicampeonato mundial (2002 e 2006) e o ouro em Atenas-04. O meio-de-rede Gustavo e o atacante Anderson já sinalizaram com a possibilidade de deixar o time após o encerramento dos Jogos de Pequim.

O pronunciamento de Bernardinho deixou por alguns instantes o importante confronto com os Estados Unidos em segundo plano. Porém, ontem mesmo, logo após o triunfo sobre os italianos, o treinador reuniu a comissão técnica e os jogadores para decifrar o rival, algoz do Brasil em duelos recentes – o revés mais emblemático foi também o mais recente: 3 a 0 nas semifinais da Liga.

"Antes era a Polônia, depois a França e agora os Estados Unidos que temos dificuldade de vencer", disse o líbero Serginho.

O vídeo mostrado foi o da apertada vitória dos ianques sobre a Sérvia por 3 a 2 pelas quartas-de-final do torneio olímpico. "Esse jogo serve de exemplo. Eles estão jogando bem o ano todo, encontraram uma causa (o sogro do técnico neozelandês da equipe americana, Hugh McCutcheon foi assassinado logo no começo dos Jogos). Mas nós também temos a nossa causa", afirmou, evitando revelar as motivações brasileiras. "Agora é final olímpica, não tem retrospecto nem favoritismo. É hora de matar, de sair sangue", completou o levantador reserva Bruninho, filho de Bernardinho, explicando a tática para afastar de vez a pressão dos calcanhares do pai.

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