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Vôlei

Derrota escancara tensão na seleção masculina

Na segunda derrota seguida para a Rússia, campeões olímpicos apresentam muitas deficiências ofensivas e deixam evidente o descontrole emocional do grupo

O líbero Serginho ainda tentou disfarçar o clima tenso na seleção brasileira após mais uma derrota para a Rússia: segundo ele o time se diverte com a pressão. | Fotos: Jonathan Campos, enviado especial/ Gazeta do Povo
O líbero Serginho ainda tentou disfarçar o clima tenso na seleção brasileira após mais uma derrota para a Rússia: segundo ele o time se diverte com a pressão. (Foto: Fotos: Jonathan Campos, enviado especial/ Gazeta do Povo)

A tensão transparece. A derrota para a Rússia por 3 a 1 (22/25, 26/24, 31/29 e 25/19), ontem, deixou clara a fragilidade da seleção brasileira de vôlei masculino. É emocional. Há sete anos acostumado a vencer tudo, o time de Bernardinho está tendo dificuldade de encarar as recentes derrotas.

Os russos venceram o Brasil pela segunda vez seguida – a primeira foi na decisão do terceiro lugar da Liga Mundial, há cerca de um mês. O comportamento brasileiro foi mais ou menos igual: uma equipe nervosa dentro de quadra, que faz escolhas erradas nos momentos decisivos.

A perda de controle emocional e a facilidade com que o time caiu em provocações deixaram a Bernardinho uma missão. Ele mesmo tem dúvidas quando ao efeito da nova derrota e o que poderá fazer para transformar o negativo em fator positivo.

"Agora temos de ver a reação dos caras. A estrada é dura, tem que ganhar força nessa hora", disse o treinador.

Bernardinho percebeu, ao lado da quadra, tudo o que o espectador viu da arquibancada ou televisão. Por isso reuniu o grupo ali mesmo. Mas o efeito parece ter sido retardado. Na saída, os jogadores ainda estavam anestesiados e ariscos.

Dante colocou a culpa na arbitragem. "Está todo mundo querendo ver o Brasil fora", disparou.

Serginho afirmava que não via nenhum efeito negativo na pressão sofrida pela seleção. E emendou: "Nós nos divertimos com a pressão."

Até Giba parecia perturbado. Mostrou um princípio de irritação ao ser questionado se estava bem para atuar. "Eu estou fisicamente 100%. Só tenho uma tendinitezinha como todo mundo", respondeu. Depois, ainda reclamou da bola, que diz ter sido a causadora da lesão. "Quem fez essa bola não tem senso do ridículo. Não dá para estrear bola em uma Olimpíada. Há 15 dias jogamos a Liga Mundial e era outra."

Mas nada disso traduz o que ocorreu dentro de quadra. O Brasil perdeu porque pecou exatamente ao fazer as escolhas. Enfrentou o bloqueio na hora errada, quando o melhor era passar a bola. Não aproveitou os contra-ataques.

Talvez tenha sido esse o assunto velado entre Giba e Bernardinho. Enquanto esperavam as perguntas da entrevista coletiva, os dois conversavam baixo, faziam caras feias. Técnico e capitão concordam que o time precisa melhorar. E também concordam que esta derrota não deve pautar as próximas partidas.

"Temos de manter a concentração. Essa derrota não pode ser determinante, que não nos leve de favoritos a renegados", disse o treinador.

Até a ex-jogadora Virna, atualmente comentarista da Band, parecia preocupada. Deu um abraço em Giba no fim da partida e falou algo do tipo "não vão decepcionar". O capitão, ao menos, parecia confiante em sua resposta: "Relaxa."

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