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Vôlei masculino

No embalo do "pepeô", Brasil pega os Estados Unidos pelo bicampeonato

Jogadores criam ritual baseado em personagem de "Da cor do pecado" para espantar uruca pós-Liga Mundial e subir de novo ao alto do pódio olímpico. Seleção entra em quadra para defender título olímpico à 1h da manhã

Equipe vibra com o ponto contra a equipe italiana | Jonathan Campos - Gazeta do Povo
Equipe vibra com o ponto contra a equipe italiana (Foto: Jonathan Campos - Gazeta do Povo)
Jogadores fazem gesto como se estivessem afastando mau agouro da seleção brasileira de vôlei |

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Jogadores fazem gesto como se estivessem afastando mau agouro da seleção brasileira de vôlei

O tradicional mergulho na quadra também está programado, mas a conquista da medalha de ouro em Pequim será seguida por outro ritual pela seleção brasileira de vôlei. Se vencerem os Estados Unidos neste domingo, à 1h (de Brasília), os jogadores vão se reunir no meio da quadra e imitar um gesto usado pelo Pai Helinho, personagem de Matheus Nachtergaele na novela "Da cor do pecado".

O novo ritual começou como brincadeira, mas virou uma forma de os jogadores tentarem espantar a má fase que começou na Liga Mundial no Rio, com a derrota para os mesmos Estados Unidos na semifinal. O "pepeô" entrou na quadra pela primeira vez após a vitória sobre a Polônia, na fase classificatória de Pequim, jogo que marcou a reação do time após a derrota para a Rússia. Os brasileiros cruzam os braços sobre a cabeça, gritam "pepeô" e fazem gestos como se estivessem afastando o mau agouro.

- Todo dia a gente joga truco. Então quando as cartas não vêm ou quando os outros têm muitas manilhas, o Anderson começa a fazer "pepeô" para chamar um jogo melhor. Foi uma brincadeira inocente que passou para a quadra e está dando certo - conta Murilo.

O irmão Gustavo diz que a brincadeira ficou séria pela tensão que acompanhou a seleção desde o fracasso na fase final da Liga Mundial.

- É só para sair a uruca, o time estava meio carregado. Está sendo importante. A gente fez a primeira vez contra a Polônia e deu certo, agora vamos fazer até o final - diz Gustavo.

Além de espantar a "uruca", o time terá de descontar uma vantagem tática que os Estados Unidos vêm mostrando sobre o Brasil nas últimas partidas.

- Eles não vêm sendo um adversário chato para a gente. Vêm sendo melhores mesmo. Perdemos os últimos dois jogos por 3 a 0. Precisamos estudá-los, melhorar até a final. Eles sabem como jogar contra a gente - admite o levantador Marcelinho.

EUA sabem enfrentar o Brasil

Para o atacante Dante, o importante é não deixar o time americano embalar no começo do jogo.

- Quando estão atrás no placar, eles brigam muito entre eles. Na frente, eles ganham segurança e é ruim de segurar. Então temos que entrar com tudo.

O técnico Bernardinho assume que seu time terá dificuldades para furar a tática americana.

- Eles aprenderam a fazer um jogo contra nós e estão tirando proveito disso. Eles têm algumas armas que nós não temos, têm uma base alta, de bons bloqueadores. Vamos ter que baixar o nível de erros e ter paciência.

Os EUA chegam à final após um início trágico, com o assassinato do sogro do técnico Hugo McCutcheon, morto por um chinês durante um passeio turístico. Abalado pelo problema, o time quase tropeçou na estréia contra a Venezuela. Chegou ao tie-break para vencer. Nas quartas e na semifinal, a seleção travou batalhas, precisando de desgastantes dez sets para bater Sérvia e Rússia, ambos 3 a 2.

Brasil e Estados Unidos lutam para conquistar uma marca histórica. Apenas União Soviética tem três ouros olímpicos. As seleções estão empatadas com dois. O final terá um alegre e aliviado 'pepeô' ou a comemoração chorosa de um time abalado por uma tragédia.

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