
A seleção feminina de futebol deixa Pequim sem a cobiçada medalha de ouro e com futuro incerto. Saída de jogadoras importantes, possível perda do técnico Jorge Barcellos para a China e a falta de um plano de renovação deixam dúvidas quanto a como serão os quatro anos até os Jogos de Londres, em 2012.
Andréia Suntaque (goleira, 30 anos), Maycon (meia, 31 anos), Pretinha (atacante, 33 anos), Formiga (volante, 30 anos) e Tânia Maranhão (zagueira e capitã, 34 anos) devem deixar a equipe por causa da idade. Nenhuma delas agüenta disputar mais um ciclo olímpico.
"De Atlanta para cá a seleção brasileira evoluiu muito. Não ganhamos nada, mas sempre estivemos nas finais. Saio de cabeça erguida, mesmo sem mais essa conquista. Queria muito fechar com a medalha de ouro, mas não conseguimos. Uma pena. Mesmo assim, saio feliz e certa de que deixamos um caminho para as que estão chegando", comentou Tânia.
É justamente aí que reside a maior preocupação de Barcellos. Sem uma categoria de base numerosa e eficiente, como fazer para substituir as veteranas sem deixar o atual nível cair? "Não sei", respondeu ele.
O treinador acredita que somente com o engajamento dos clubes grandes "de camisa" como diz com a criação de um departamento de futebol feminino poderia tirar a modalidade do ostracismo.
"Precisamos pensar no futuro. O ouro teria o poder de transformar a nossa realidade. Agora não sei mais, tenho lá as minhas dúvidas", comentou. "Pegue, por exemplo, o caso dos Estados Unidos. Eles têm uma liga de futebol eficiente. A Alemanha também possui a sua Bundesliga. Campeonatos fortes, coisa que não existe no Brasil", acrescentou.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) já demonstrou o interesse em colaborar, criando no ano passado a Copa do Brasil de Futebol Feminino. A questão, porém, é que a entidade apenas organizou o campeonato, sem pensar nos clubes, que sofreram para honrar despesas com viagens e alimentação das atletas. Pouco divulgada, a competição passou longe de empolgar. Ninguém sabe se terá continuidade nesta temporada.
Barcellos também não sabe se continuará no comando da equipe de mulheres. O técnico recebeu uma proposta para dirigir a seleção chinesa, algo que está estudando. "Não sei o que vai acontecer. Não conversei com ninguém, mas acho que vou continuar", explicou, sem entrar em detalhes.



