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Ginástica

Seleção falha, mas comemora 8º lugar

Performance no solo – melhor aparelho da equipe brasileira – faz país perder uma posição em relação à eliminatória na sua primeira final olímpica

Daiane dos Santos conseguiu a terceira maior nota na prova classificatória do solo e ganhou confiança para disputar a final do aparelho, no domingo, ao som do tradicional "Brasileirinho" . | Fotos: Jonathan Campos, enviado especial/ Gazeta do Povo
Daiane dos Santos conseguiu a terceira maior nota na prova classificatória do solo e ganhou confiança para disputar a final do aparelho, no domingo, ao som do tradicional "Brasileirinho" . (Foto: Fotos: Jonathan Campos, enviado especial/ Gazeta do Povo)

A meta da seleção brasileira de ginástica artística na final por equipes era pouco ambiciosa. Sem condições de brigar com China, Estados Unidos e Romênia por um lugar no pódio – respectivamente, os três primeiros colocados –, o time já se contentaria em melhorar a sétima posição obtida na fase eliminatória.

O planejamento, porém, acabou esbarrando justamente no solo, aparelho em que o Brasil tem normalmente os seus melhores resultados. Nervosa, a novata Ana Cláudia Silva terminou na lanterna entre as 24 ginastas que competiram no exercício, com 13.375 pontos. Principal aposta da modalidade em Pequim, Jade Barbosa pisou com os dois pés fora do tablado após um salto. Apenas Daiane dos Santos, com o seu inconfundível "Brasileirinho", se saiu bem. Sem o solo para impulsionar, as comandadas de Oleg Ostapenko terminaram na oitava posição, com 174.875 pontos.

"Erramos onde normalmente somos melhores. Na trave, que era o nosso problema, conseguimos um desempenho bom", comentou Daniele Hypólito. "A ginástica de alto nível é assim: ou você mata ou você morre", acrescentou Jade.

O clima entre as brasileiras após a competição, contudo, era de muita alegria. Afinal, pela primeira vez na história o país conseguiu levar um conjunto completo para a decisão olímpica. Com um sorriso escancarado no rosto, Daniele parou para conversar com os jornalistas na apertada e tumultuada zona mista e disparou o que para ela deveria ser a manchete dos principais jornais no dia seguinte ao resultado do sexteto na China: "Brasil briga de igual para igual com a elite da ginástica mundial."

A ginasta, de fato, tem razão. A evolução do esporte no país é de se admirar. Há quatro anos, em Atenas, o país classificou somente três ginastas para as finais – Daiane dos Santos no solo; Camila Comin e a própria Daniele no individual geral. Acrescentando Diego Hypólito no masculino, este número saltou para sete atletas em quatro decisões diferentes em Pequim.

A possibilidade de a modalidade conquistar a sua primeira medalha olímpica aumentou na mesma proporção. Ao que tudo indica, Daiane deve melhorar o quinto lugar conquistado na Grécia. Já o bicampeão mundial Diego Hypólito se credenciou durante as eliminatórias a ser chamado de favorito no solo.

"Isso representa muito. Hoje os estrangeiros olham a ginástica do nosso país de um jeito diferente", ressaltou Jade, finalista no individual geral (a prova será amanhã) ao lado de Ana Cláudia Silva, e no salto, sábado.

A expectativa a partir de agora gira em torno do futuro. Com o término dos Jogos, Vicélia Florenzano já anunciou que deixa a presidência da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), levando também a supervisora e braço direito Eliane Martins. Oleg manifestou o desejo de prosseguir no Brasil, mas sem a pressão de dirigir a seleção – o ministério do Esporte e o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) articulam a criação de uma escola de formação de treinadores a ser gerida pelo ucraniano. "Não podemos parar. Temos tudo para em Londres (2012) estarmos ainda melhores", opinou Jade.

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