
Daiane dos Santos chegou a Pequim à sombra de Jade Barbosa. As lesões e a falta de resultados expressivos nos últimos tempos apagaram um pouco do brilho da Pérola Negra. A ausência da mídia, contudo, trouxe a tranqüilidade necessária para a gaúcha trabalhar quieta no centro de treinamento da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), em Curitiba. Nada comparável à pressão que marcou a preparação para os Jogos de Atenas, há quatro anos.
Na Grécia, Daiane competia com a obrigação de confirmar o título mundial conquistado no ano anterior, nos Estados Unidos. Castigada pelas cobranças excessivas, falhou. Pisou duas vezes fora do tablado e amargou a modesta quinta colocação. Muito pouco para quem era considerada a favorita.
É este roteiro que a ginasta tenta reescrever na China a partir de amanhã, às 7h45 (de Brasília), na final do solo, seu mais forte exercício. "A maturidade fez com que eu aprendesse a me controlar melhor. Sinto que estou mais preparada agora", revela.
Uma medalha olímpica, inédita para a ginástica artística nacional, serviria também para consolidar de vez a carreira da atleta. Ela não confirma, mas dá sinais de que deve pendurar o collant no fim do ano, após a disputa do Mundial.
"Seria legal entrar para a história do esporte brasileiro", resume, evitando falar do futuro, a criadora do duplo-twist carpado (Dos Santos) e do duplo-twist esticado (Dos Santos2) saltos batizados com o nome dela e incluídos no código da Federação Internacional de Ginástica (FIG).
Apesar do silêncio, existe a possibilidade, comentada nos bastidores, de a gaúcha integrar o projeto do Ministério do Esporte a ser coordenado pela atual presidente da CBG, Vicélia Florenzano, de revelação de novas ginastas.
Antes, no entanto, a Pérola Negra terá de resolver sua vida dentro do tablado. A missão é complicada, mas Daiane já demonstrou ter condições de brigar em igualdade de condições, inclusive pelo ouro. Durante a fase eliminatória, ela recebeu a terceira melhor nota (15.275 pontos), ficando atrás apenas da romena Steliana Nistor (15.550) e da chinesa Fei Cheng (15.450). "Agora é limpar a série e cravar a chegada."
A ginasta usou os quatro dias de intervalo entre uma competição e outra para aperfeiçoar a série, sob as orientações de Oleg Ostapenko, o técnico da seleção brasileira. O otimismo de que, enfim, conseguirá apagar de vez a frustração grega é grande. Seria uma espécie de ajuste de contas com o passado. "Tomara que esta história seja melhor que a outra. E que a medalha venha agora."
Na TV
Ginástica (solo feminino), às 7h45 (amanhã), na RPC TV, Band, BandSports, ESPN Brasil e SporTV.



