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Boxe

Irmãos medalhistas podem trocar o boxe pelo MMA

Esquiva, que briga pelo ouro hoje, e Yamaguchi Falcão pretendem realizar o sonho do pai, que subiu nos ringues de vale tudo na época do telecatch

Esquiva acerta o rosto do adversário britânico e hoje disputa a final | Jack Guez/ AFP
Esquiva acerta o rosto do adversário britânico e hoje disputa a final (Foto: Jack Guez/ AFP)
Yamaguchi não resistiu à força do pugilista russo: levou o bronze |

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Yamaguchi não resistiu à força do pugilista russo: levou o bronze

Não será em Londres que Yamaguchi e Esquiva Falcão conseguirão igualar a façanha dos irmãos americanos Leon e Michael Spinks, em Mu­­nique-1972, de dois representantes da mesma família levarem para casa o ouro em uma Olímpiada. O caçula garantiu ontem o boxe brasileiro pela primeira vez em uma decisão olímpica, mas o mais velho empacou na semifinal – ficou com o bronze, pois no boxe olímpico não há decisão de terceiro lugar. A dobradinha pode também não ser possível no Rio-2016, já que ambos cogitam se transferir para o MMA.

De manhã, na Arena Ex­­cel, Esquiva deixou para trás o britânico Anthony Ogogo e a torcida local, com uma vitória por 16 a 9, para decidir hoje, às 17h45 (de Brasília), com o japonês Ryota Murata, o ouro no peso médio (até 75 kg).

À noite, porém, Yamagu­­chi não conseguiu vencer a força e a velocidade do russo Egor Mekhontcev na semifinal do peso meio-médio (até 81 kg) e perdeu por 23 a 11.

Apesar das medalhas, tan­­to Yamaguchi quanto Esquiva são enfáticos em dizer que um dia vão se transferir para o MMA e realizar o sonho do pai, o folclórico lutador capixaba Touro Moreno, que além do boxe também subiu nos ringues de vale tudo na época do telecatch, entre os anos 60 e 80.

O mais velho cogita deixar o boxe olímpico já na volta ao Brasil. "Tudo vai depender da proposta que eu receber. Mas se forem duas iguais, vou para o MMA", revela Yamaguchi. Atualmente, cada um dos irmãos recebe patrocínio da Petrobras de R$ 3,2 mil de salário, mais R$ 1,2 de vale-refeição e R$ 800 de plano de saúde.

Já Esquiva não esconde que o fato de ter chegado à final em Londres deve atrasar o desejo de lutar no octógono. "Acho que vou ficar mais dois anos ainda no boxe olímpico, porque esse é meu melhor momento. Depois, vou começar a treinar luta de chão. Vou lutar MMA nem que seja só para ter uma luta no currículo", planeja.

Além do MMA, Esquiva também não descarta a possibilidade de seguir o caminho de Adriana Araújo, que depois de também conquistar o bronze em Londres, na categoria leve (até 60 kg), vai se transferir para o boxe profissional ainda em 2012.

Retrocesso

Para o técnico da seleção de boxe, João Barros, a transferência dos irmãos para o MMA seria um retrocesso não só para ambos, mas para o esporte brasileiro. "Eu vou conversar com eles para desistirem disso. Chegamos tão longe aqui, não podemos voltar agora. Até porque viemos com uma estrutura boa e a tendência com essas medalhas é melhorar ainda mais em 2016", avalia o treinador.

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