Brasileiro Rafael Andrade foi o primeiro representante do país no esporte, mas terminou em 15º lugar.| Foto: Marcelo Pereira/COB

O comportamento agitado do torcedor brasileiro, que vem gerando queixas de alguns atletas estrangeiros ao Comitê Olímpico Internacional (COI) na Rio-2016, passa longe das provas de ginástica de trampolim, esporte que entrou no programa olímpico com 20 anos de atraso.

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Atleta da ginástica artística, o americano George Nissen criou em 1936 a primeira cama elástica desmontável, baseada no equipamento usado por equilibristas de circo. Nissen passou a rodar os EUA organizando competições em sua invenção, aproveitando também para vendê-la. Após a Segunda Guerra, a cama elástica passou a ser usada por militares nos treinamentos de paraquedistas, pilotos e até astronautas.

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Já no fim dos anos 50, a cama elástica se popularizou. O sucesso foi tamanho nas décadas seguintes que, em 1980, a modalidade deveria ter sido disputada nos Jogos de Moscou. Não foi porque, de última hora, o COI vetou a inclusão após um acidente com uma saltadora que caiu da cama elástica e ficou tetraplégica.

Só em Sydney-2000 a ginástica de trampolim passou a integrar o programa olímpico. Na disputa, cada atleta faz duas séries de dez elementos cada, com saltos simples, duplos, triplos, com e sem piruetas. Os saltadores executam movimentos obrigatórios e livres. A soma das duas notas define a pontuação para a final. Na decisão, os atletas só executam movimentos livres.

Desde os Jogos da Austrália, a torcida da ginástica de trampolim mantém um protocolo de aplausos muito contidos nos Jogos Olímpicos. Somente em três momentos bem específicos o público se manifesta: quando o atleta entra na disputa, quando termina a execução dos movimentos e quando tem a nota anunciada. No restante da competição, o mais absoluto silêncio. Mesmo em uma decisão.

Na Rio-2016, público da modalidade também tem sido um dos mais baixos. Em nenhum dia de disputa a Arena Carioca lotou. Nesta sexta (12), na decisão feminina individual, boa parte do segundo anel do ginásio estava vazia. Rosannagh Maclennan levou o ouro – a canadense foi porta-bandeira do seu país na cerimônia de abertura.

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Tudo bem diferente, por exemplo, das partidas de basquete e das lutas de judô, quando a gritaria e a batida de pés no chão chegam a fazer as arenas tremer.

A dentista Simone Barbisan, 42 anos, paranaense de Maringá, mas que vive no Rio, admite que comprou ingresso sem conhecer as regras da ginástica de trampolim. “Estou aprendendo um pouco agora, durante a competição”, admite.

Mas para ela, que foi ver a prova com o filho Rômulo, de 5 anos, isso não faz diferença. “Quero assistir ao máximo de provas. Tenho que aproveitar. É uma oportunidade única ver a Olimpíada aqui”, ressalta a dentista, que já assistiu a dois jogos de vôlei e ainda vai ver provas de atletismo, além de partidas de basquete e futebol.

Já o estudante de engenharia de alimentos Allan Joly, 24 anos, não só entende de ginástica de trampolim como viu na Rio-2016 a chance rara de poder ver os melhores atletas da modalidade. “Pratiquei ginástica de trampolim por três anos e, como o Brasil não tem tradição no esporte, é difícil a gente ver atletas desse nível aqui”, argumenta.