Lesionada, Amanda utilizou joelheira especial sob a roupa de esgrima| Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

A esgrimista paranaense Amanda Netto Simeão, 22 anos, foi eliminada em sua estreia na Rio-2016, na manhã deste sábado (6), na Arena Carioca 3. Duas semanas antes de perder para a francesa Marie-Florence Candassamy, por 15 a 6, porém, ela treinava sentada em uma cadeira de rodas no Clube Pinheiros, em São Paulo, onde finalizava a preparação para os Jogos.

CARREGANDO :)

A curitibana, que joga a modalidade espada, havia torcido o joelho esquerdo em um treinamento com a companheira de seleção Rayssa Costa – agravando uma lesão antiga. Em fevereiro, na França, Amanda se machucou durante uma competição e ouviu do médico que estava fora da Olimpíada.

O resultado do exame apontou ruptura do ligamento cruzado anterior, que exige cirurgia e pelo menos seis meses de recuperação.

Publicidade

MUSA OLÍMPICA

Convidada para ser capa da edição olímpica da revista Playboy, Amanda, que é atleta militar, teve de recusar a oferta.

A paranaense, no entanto, quer evitar ser rotulada como alguém que está no esporte para aparecer na mídia.

“Não quero que pensem que não ligo para a esgrima, que só quero saber de outras coisas”, afirma.

“Não fui eu que me intitulei musa”, reforça.

“O médico da seleção francesa [Dominique Poux] estava com lágrimas nos olhos quando me deu o exame”, contou Amanda à Gazeta do Povo, enquanto assistia à sequência do torneio de esgrima no Rio.

“Por um segundo pensei em parar [a carreira], mas a vontade de superar foi maior. De qualquer forma não quero culpar a lesão pela derrota de hoje. Eu estava travada”.

A brasileira, que viveu nos arredores de Paris por quatro anos, entre 2009 e 2013, para treinar com o então chefe da seleção francesa de esgrima, Daniel Levavasseur, conhece Poux desde que tinha 15 anos.

E como Amanda não quis desistir do sonho olímpico, o médico sugeriu que ela usasse uma joelheira especial, que custa 2 mil euros (quase R$ 10 mil na época), para tentar se manter ativa e garantir a vaga na seleção brasileira.

Publicidade

A dificuldade para pagar pelo equipamento não foi o único percalço até a estreia nos Jogos. Assim que retornou ao Brasil, a atleta iniciou uma maratona de fisioterapia, com pelo menos três horas diárias, entre seis e sete vezes por semana.

Treinar e competir também se tornou mais complicado. Principalmente pelas dores e falta de confiança no joelho.

“A joelheira é feita sob medida e prende a circulação da perna para dar estabilidade. Machuca. Mudou muito a minha mobilidade e o jeito de jogar”, explica a esgrimista, que também é 3.º sargento do Exército.

Amanda continuou competindo, mas foi impossível evitar novas torções. No Aquece Rio, no final de abril, que valeu como etapa do Grand Prix, só disputou o poule – a primeira fase eliminatória –, antes de sentir novamente o problema.

Publicidade

longe dos torneios a curitibana também enfrentava outra barra. Seu técnico, Giocondo Cabral, movia um processo na Justiça contra a húngara Emese Takácz, alegando que sua naturalização não havia seguido as regras do processo. A disputa, que acabou favorecendo a curitibana, envolvia diretamente uma vaga de titular na equipe de espada.

“Pelo joelho ruim, por toda a questão da húngara, queria provar para mim mesma que poderia me superar”, enfatiza Amanda, que tem na ponta da língua a resposta para quem acredita que ela deveria ter abrido mão da vaga por causa da lesão.

“Fiquei em sexto lugar no Pan do Panamá, em junho. Fui a melhor entre as brasileiras. Sou a número três do ranking nacional. Não tinha pessoa melhor do que eu para estar aqui”, garante a garota, triste pela derrota, mas feliz com o aprendizado.

“Meu objetivo maior é Tóquio-2020. Daqui a quatro anos quero ir como uma das favoritas”, prevê.

No dia 11 de agosto, Amanda volta à pista da Arena Carioca 3 para competir por equipes. A meta é chegar à disputa do bronze.

Publicidade