
Alison fechou a partida da semifinal que o colocou, ao lado de Emanuel, na final olímpica do vôlei de praia com um ponto que resume seus atributos: um bloqueio, seguido de muita comemoração.
Foi pela altura, força, inteligência, juventude e emoção que Alison foi escolhido a dedo pelo já ídolo das areias, o curitibano Emanuel, para ser o parceiro na jornada rumo ao ouro nos Jogos de Londres. O primeiro passo foi dado há três anos, quando Alison era o atleta-revelação do Circuito Mundial e aceitou o convite. O passo final é hoje, a partir das 17 horas (de Brasília), na decisão contra a dupla alemã Julius Brink e Jonas Reckermann.
"As pernas tremeram. Viram quando fui dar o último bloqueio? Caí [de felicidade] e, sim, passou um rápido filme da nossa história até aqui", contou o Mamute, já medalhista (receberá ao menos a prata) em sua estreia olímpica. O primeiro pódio, entretanto, tem tudo para ser o último da parceria. Jovem e talentoso, o atleta de 2,03 m e 109 kg (o mais pesado das areias do Horse Guard Parade) é candidatíssimo para a disputa dos Jogos do Rio, em 2016. Mas seu próximo ciclo olímpico ainda é uma incógnita por causa de Emanuel.
Aos 39 anos, o curitibano mantém seu futuro sob suspense. Diz apenas que seguirá nas areias em 2013. "Não tenho como parar depois de [mais] uma medalha olímpica", explicou. O veterano ganhou bronze em Pequim-2008 e ouro em Atenas-2004 e é o mais experiente jogador do vôlei de praia em Londres, com 19 temporadas e 223 torneios internacionais disputados.
Sobre o período entre 2014 e 2016, Emanuel silencia. "Não posso responder ainda, dependo de outros fatores", desconversou ele, que chegaria aos Jogos no Brasil com desafiadores 43 anos. Se o paranaense realmente largar o esporte em 2013, seu companheiro perderia um ano de preparação para o Rio. O que não significa prejudicar a classificação para os Jogos, já que as vagas serão distribuídas pelo ranking do ainda longínquo 2015.
"O Alison tem muita vontade, muito fogo. Está em um período de maturação. O atleta do vôlei de praia tem seu período perfeito entre 27 a 35 anos, que é quando o jogo flui. Ele está exuberante", elogia Emanuel, prevendo uma carreira longa para o amigo.
Alison completará 27 anos em dezembro. Assim, pode entrar no período áureo citado pelo parceiro e ídolo já em alta, com a medalha de campeão olímpico no peito. Depende de hoje. Dispostos a não permitir surpresas, os brasileiros dedicaram a quarta-feira para estudar o jogo dos alemães.
Brink e Reckermann, terceiros cabeças de chave do torneio, eliminaram a outra dupla do Brasil, Ricardo e Pedro Cunha, nas quartas de final. "São dois grandes jogadores. Foram campeões mundiais em 2009 [venceram a final contra Alison e o ex-parceiro Harley]. São macacos velhos", disse Alison, que já recebeu do paranaense a "cartilha" de como disputar uma final olímpica.
"Parece um jogo comum, mas não é. Temos de entrar com o máximo, com toda a intensidade ou a coisa não acontece", advertiu Emanuel. A dupla brasileira venceu os alemães na semifinal do Mundial de 2011.



