
O futebol feminino abre o calendário de competições da Olimpíada do Rio nesta quarta-feira (3). E logo no primeiro dia da Rio-2016, um recorde será batido. Ao entrar em campo para defender o Brasil diante da China, às 16h, no Engenhão, a volante Formiga vai se tornar a mulher brasileira com mais participações em Jogos Olímpicos.
Na capital carioca, a jogadora vai disputar sua sexta Olimpíada, deixando para trás a ex-levantadora Fofão, do vôlei, com cinco. Ela ainda vai se igualar a Rodrigo Pessoa (hipismo), Hugo Hoyama (tênis de mesa), Robert Scheidt e Torben Grael (vela) – os recordistas do país, todos com seis presenças olímpicas no currículo.
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O comportamento da baiana em campo não reflete os 38 anos que carrega nas costas, 21 deles na seleção. A veterana transforma-se em uma garota: é uma das mais ativas do time, movimenta-se muito, orienta, desarma e apoia o ataque com fôlego invejável. Formiga, cujo verdadeiro nome é Miraildes, faz jus ao apelido que recebeu aos 12 anos justamente pelo perfil ‘incansável’.
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“Ela não é desse planeta. É considerada defensiva, mas arma o time, finaliza de fora da área, chuta com as duas pernas e tem um incrível poder de percepção para antecipar as jogadas. É uma jogadora praticamente completa. A Formiga é o grande símbolo do futebol feminino no país”, elogia o ex-técnico do Atlético Vadão, que comanda a seleção feminina desde 2014.
Tirar a camisa 8 de campo é um sacrifício. O treinador admite que é sempre complicado convencer a atleta a ser poupada em algumas partidas. “Ela fica brava quando não joga. Quer sempre estar em campo”, conta.
Formiga, porém, vive os últimos momentos na seleção. Depois da Olimpíada do Rio, ela deixará de vestir a camisa verde-amarela, mas não vai se aposentar em definitivo. Pretende jogar por clubes por até mais dois anos “se as pernas aguentarem”, como diz. Ninguém duvida.
“Ela é o termômetro da equipe. O time se transforma com e sem ela em campo. Já estou ficando triste, pois é a última competição internacional dela”, diz a ex-jogadora e hoje comentarista Leda Maria, que foi companheira de Formiga nos Jogos de Atlanta-1996, quando a volante tinha apenas 16 anos.
Duas vezes medalhista de prata (Atenas-2004 e Pequim-2008), Formiga sonha com a conquista do ouro inédito na modalidade para encerrar a trajetória na seleção. Além da China, as meninas brasileiras encaram na primeira fase da Rio-2016 Suécia e África do Sul.



