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Olimpíada

Tarimba põe ex-atletas na gestão da Rio-2016

Ex-canoísta Sebastián Cuattrin e o bicampeão olímpico Giovane Gávio encaram desafio de organizar evento esportivo

Bicampeão olímpico no vôlei , Giovane Gávio agora trabalha na gestão da Rio-2016 | Albari Rosa/Gazeta do Povo
Bicampeão olímpico no vôlei , Giovane Gávio agora trabalha na gestão da Rio-2016 (Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo)

Maior campeão da canoagem brasileira, com 11 medalhas em Pan-Americanos, Sebastián Cuattrin, 42 anos, não tinha ideia de quantas folhas com resultados de provas precisavam ser impressas e distribuídas nas Olimpíadas que disputou (1992, 1996, 2000 e 2004).

Giovane Gávio, 45 anos, bicampeão olímpico no vôlei (1992 e 2004), nunca se preocupou com o acesso da torcida ou a limpeza dos ginásios nas quatro edições dos Jogos em que competiu – também esteve em 1996 e 2000.

Hoje Cuattrin sabe exatamente quantas folhas serão distribuídas a árbitros, dirigentes, jornalistas e comissões técnicas nas provas de canoagem dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos do Rio: 32 mil. Assim como Giovane está ligado em cada detalhe da preparação do vôlei, vôlei de praia e da disputa paraolímpica de vôlei sentado. Ambos fazem parte do grupo de ex-atletas que participam da organização da Rio- 2016.

Gerentes da canoagem e do vôlei da Rio-2016, Cuattrin e Giovane são o elo entre organização, Comitê Olímpico Internacional (COI), comitês nacionais e federações internacionais das respectivas modalidades. Têm de pensar em tudo para que os atletas tenham as melhores condições.

Integrante do Comitê Rio-2016 há dois anos, Cuattrin diz que a experiência de atleta pesa na gestão. Mas que só o currículo nas raias não basta.

“Há momentos em que a experiência de atleta fala mais alto. Por exemplo, eu sei avaliar a profundidade da água sem precisar de medição, só pelo desenvolvimento do barco. Mas não sabia que depois de 30 segundos que uma prova termina tinha que ter 30 documentos assinados com o resultado”, compara o ex-canoísta, que já no evento-teste da modalidade para os Jogos, final de semana passado, teve de enfrentar a primeira dificuldade da organização: o excesso de algas, que se prendem nos remos, na Lagoa Rodrigo de Freitas.

Quando você está na gestão, é muita coisa para pensar. Quando eu era atleta, bastava cruzar a linha de chegada, botar a medalha no peito e ir embora

Sebastián Cuattrin gerente da Canoagem do Comitê Rio-2016.

Cuattrin teve de dar explicações à imprensa internacional, dizendo que o inverno desse ano foi atípico no Rio, com temperaturas altas que causaram o crescimento das algas, reforçando a necessidade da limpeza nos Jogos.

Argentino de nascimento, criado em Governador Valadares (MG), Cuattrin é formado em Educação Física pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), onde treinou com a seleção no fim dos anos 90. Tem especialização em treinamento esportivo em Cuba.

Na Confederação Brasileira de Canoagem, foi técnico da base e supervisor, quando organizou campeonatos nacionais e sul-americanos. “Foi quando comecei a ganhar cabelos brancos. Era muita coisa para pensar. Quando eu era atleta, bastava cruzar a linha de chegada, botar a medalha no peito, agradecer e ir embora”, brinca.

Às vezes me espanto com o nível de detalhes que tenho de relatar à organização. Coisas que quando você é jogador nem pensa, só reclama

Giovane Gávio  gerente do Vôlei do Comitê Rio-2016

Na sequência, Cuattrin foi selecionado para o programa de Gestão Esportiva Avançada do COI e participou da Olimpíada de Londres, em 2012, como observador. Ao voltar ao Brasil, passou por dez fases para integrar o Comitê Rio-2016, incluindo análise do currículo e entrevistas. Desde então, se preocupa desde o número de porcas de cada canoa até as condições climáticas no dia da competição.

“Participar da organização dos Jogos é o selo de ouro da minha carreira, porque estive em todo a cadeia olímpica: atleta, técnico, observador e agora organizador”, orgulha-se Cuattrin, que ao fim da disputa promete festejar a organização mais do que uma medalha. “Falei para a equipe que no fim vamos todos pular na água como se tivéssemos chegado ao pódio”, confia.

Mesma expectativa de Giovane. Membro da organização dos Jogos desde fevereiro, o bicampeão olímpico também disputou competições de vôlei de praia, virou treinador e teve duas experiências na gestão de equipes. Antes de aceitar o convite do presidente do Comitê Rio-2016, Carlos Arthur Nuzman, ministrou palestras motivacionais e a se candidatou a deputado federal por Minas Gerais ano passado pelo PSDB. Nenhuma dessas funções, diz, tinha a quantidade de detalhes com a qual está envolvido nos Jogos.

“Às vezes me espanto com o nível de detalhes que tenho de relatar à organização. Coisas que quando você é jogador nem pensa, só reclama”, admite Giovane, que passa o dia em reuniões com a equipe e representantes do COI e Federação Internacional de Vôlei, além de eventos. “Não tenho rotina de ficar só atrás da mesa. Agora eu saco, recepciono, levanto e corto”, compara.

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