
Sollys/ Osasco e Unilever/ Rio de Janeiro decidem hoje, a partir das 9h45, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, o título da Superliga Feminina de Vôlei.
Parece até notícia antiga, mas, exceção a algumas adaptações como o local do confronto e os nomes fantasia, a frase que abre essa reportagem é atualíssima, o que confirma a monotonia que tomou conta do Campeonato Brasileiro. Há seis temporadas que as mais poderosas equipes do país, bases da seleção medalha de ouro em Pequim-08, se encontram na final. Jogos emocionantes, invariavelmente resolvidos apenas no quinto set, mas que, no fim, reafirmaram a previsibilidade do torneio. Nas mãos do multicampeão Bernardinho o time carioca enfileirou os quatro últimos títulos.
"Isso é muito chato. As equipes merecem porque se prepararam. Só que, em termos de campeonato, é muito chato", opina o ex-jogador Maurício Jahu, comentarista dos canais ESPN, relacionando a ausência de novidades a uma certa imaturidade dos adversários na formação dos elencos. "É preciso escolher melhor as jogadoras, mesmo tendo menos condições financeiras", ensina.
Há, porém, quem veja a Superliga 09/10 como o pontapé de uma reviravolta no vôlei feminino transformação já sacramentada entre os homens. "A distância já não é tão grande assim", afirma Leila, duas medalhas olímpicas de bronze no currículo (Atenas-96 e Sydney-2000). "O caminho desta vez não foi tão fácil como nos anos anteriores. O Rio sofreu muito para passar pelo São Caetano nas semifinais. Osasco derrotou o Pinheiros agora, mas no Paulista perdeu a final", emenda a comentarista da TV Globo, lembrando que Sollys x Unilever veio substituir a rivalidade entre Leites Nestlé e Sadia, que marcou a década de 90.
Os dois clubes reforçam o discurso otimista de Leila. "As partidas têm sido decididas no último ponto dos últimos sets. Quem assistiu a Rio e São Caetano sabe disso", diz a meio de rede Thaisa, do Sollys, constantemente convocada por José Roberto Guimarães para o time nacional. "São Caetano investiu pesado, com Mari, Sheilla e Fofão. No final, porém, nossa competência foi maior, por isso estamos aí", completa a ponteira Érika, única remanescente da passagem da Unilever (Rexona na época) por Curitiba o time ficou sediado na capital paranaense até 2004.
A monotonia, apesar de negada, é usada como arma motivacional em Osasco. Luizomar de Moura, técnico e gerente administrativo do Sollys, tem usado o tabu para mexer com o brio das atletas. "Perder uma vez para mim já é revoltante, imagine quatro... Está entalado. Precisamos ganhar", diz Thaisa. "A maior força delas é estarem juntas há muito tempo e isso facilita muito", reforça Jaqueline, substituta de Paulo Pequeno, deixando clara a aposta no talento individual, ponto forte do grupo paulista, citado por Maurício Jahu e Leila como essencial para as duas vitórias de Osasco sobre o rival na temporada.
"A cada ano esta rixa se acirra, é bacana. Nós queremos manter, e elas quebrar a série", diz a líbero Fabi, do Rio, exaltando o conjunto e o poder de decisão do time carioca, armas na manutenção da hegemonia. Ou da monotonia.
Ao vivo
Sollys/ Osasco x Unilever, às 9h45, na RCP TV, Bandeirantes e SporTV.




