Depois de ver o filho ser punido mais uma vez pelos comissários desportivos, durante o GP de Cingapura, no domingo, o pai de Lewis Hamilton, Anthony Hamilton, deu o diagnóstico para a causa de tantos problemas do piloto da McLaren na atual temporada da Fórmula 1: a falta de apoio da empresa que gerencia sua carreira. Em março, o campeão mundial de 2008 assinou com a XIX Entertainment, de Simon Fuller, respeitado por criar programas de tevê de sucesso, mas sem experiência no automobilismo.
"Os responsáveis pela trajetória de Lewis têm de fazer mais", afirmou Anthony, em entrevista à tevê britânica BBC. "Olhe no paddock, todo piloto está acompanhado do seu gerente, está sempre aqui e presente na vida do piloto", completou o pai do inglês.
O que também está por trás da declaração é a mágoa com o fato de o filho não mais desejar que ele conduzisse sua carreira. Segundo se comenta na F1, Lewis teria se cansado de pagar ao pai porcentagem tão elevada que nenhum outro empresário cobra em geral, varia de 10 a 20% do faturamento. Hoje Anthony trabalha para o escocês Paul Di Resta, da Force India, que faz sua temporada de estreia e já causou boa impressão em Cingapura, ficou em sexto lugar.
A punição de drive through (passagem pela área dos boxes) imposta a Hamilton domingo, por, precipitadamente, tentar ultrapassar Felipe Massa, da Ferrari, e furar o pneu do brasileiro, foi a sexta no ano. "Lewis não é o mesmo piloto do título de 2008", afirmou o ex-piloto escocês Jackie Stewart, três vezes campeão do mundo. Em entrevista à revista inglesa Autosport, ele disse que "Lewis não pode se envolver em tantos acidentes se deseja ser um grande piloto. Nenhum dos grandes nomes da Fórmula 1 pilotou dessa maneira".
Apesar do interesse de Anthony em desmerecer os novos gerentes da carreira do filho, sua impressão vai ao encontro do que muita gente experiente pensa. "Falta assessoria a Lewis", disse um integrante da equipe Renault, que pediu anonimato. Já em Mônaco, Flavio Briatore, ex-diretor do time francês, dizia: "Estão passando demais a mão na cabeça de Lewis".
Ao menos diante das câmaras, a postura de Martin Whitmarsh, diretor da McLaren, é mesmo de condescendência com as atitudes do seu piloto.



