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Automobilismo

Paixão pela velocidade em “mundos” opostos

Dois lados do Turismo se encontram em Curitiba: a rica WTCC e a valente Copa Clio

Em cima, uma mulher agita seu cabelo. Em baixo, o computador recria o movimento | Reprodução - G1
Em cima, uma mulher agita seu cabelo. Em baixo, o computador recria o movimento (Foto: Reprodução - G1)

De um lado, em um dos boxes do Autódromo Internacional de Curitiba, estão 25 pessoas que vivem em função de dois carros. Umas dez delas só trabalham com auxílio de computadores. Estão normalmente em uma salinha, sentados, e na base dos cálculos matemáticos mais complexos, têm a obrigação de garantir alguns milésimos de segundos por volta dentro da pista. São os chamados engenheiros. O restante deles se divide entre mecânicos e técnicos, basicamente. E não é à toa que cada veículo que disputa o Mundial de Turismo da FIA, o WTCC, pode chegar a custar à equipe uma fortuna estimada em cerca de US$ 3 milhões anuais.

Do outro lado, já atrás do estacionamento do circuito, apenas 5 pessoas, que cuidam de cinco carros. Estão debaixo de tendas que mal conseguem proteger do calor intenso de Curitiba nos últimos dias. Ninguém tem uma função específica. Fazem de tudo, deste trocar o pneu até ajustar o motor, o aerofólio, etc. E mesmo também sendo uma modalidade de Turismo, na categoria Clio brasileira, o dinheiro gasto com um carro na WTCC certamente garantiria a temporada de no mínimo 15 veículos.

Quem for ao Autódromo Internacional de Curitiba, hoje, certamente terá um dia de contrastes automobilísticos. Na programação de domingo, poderá ver em um só dia os dois extremos do Turismo. Serão quatro corridas. Duas da WTCC, que atualmente só fica atrás da Fórmula 1 no desenvolvimento de seus carros, e outras duas da Copa Clio que, ao contrário, tem por regra deixar o veículo o mais próximo do original de fábrica para evitar altos custos.

"Vou ser sincero. Não sei quais são as diferenças das duas categorias, só que nós estamos fechando uma volta em 1min24s e eles em 1min40s. E 16 segundos é muita diferença", analisa o paranaense Augusto Farfus Júnior, da BMW, um dos favoritos ao título deste ano.

Antes do treino livre de ontem, o piloto curitibano recebeu a visita de quatro pilotos da Copa Clio. Vágner Cardoso, Fernando Schlickmann e os irmãos Daniel e Miguel Paludo foram conferir de perto o BMW 320 de Farfus. O carro impressionou.

"Com apenas 4 cilindros e 280 cavalos eles conseguem virar igual a Stock Car, que tem 8 cilindros e 430 cavalos. É muita tecnologia", diz Cardoso, o vice de 2006, que tem de se contentar com seu Clio 1.6 de 130 cavalos.

Há cerca de dez anos, Cardoso e Farfus chegaram a correr juntos no kart paulista. De la pra cá, o caminho dos dois tomou rumos diferentes. Hoje, enquanto o paranaense está na milionária BMW, Cardoso continua o seu hobby, só que na Clio. Mas mesmo com a disparidade das duas categorias, ainda há um momento em que a única coisa que importa é o talento do piloto: na hora de acertar o carro.

"Daí não importa. Você desce do carro e diz o que sentiu dele e o que quer para o pessoal da sua equipe", conta Cardoso. Bom, depois disso, tudo volta ao normal.

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