
Apesar de o novo episódio de injúria racial no futebol ter dominado a intensa repercussão do caso, é com a cusparada que Danilo pode se complicar nos tribunais desportivos. Reformulado este ano, o novo Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) tipificou a atitude (artigo 254-b) e lhe atribuiu uma das penas mais severas, de seis a 12 jogos de suspensão.
Caso seja comprovada a atitude racista, o ex-jogador do Atlético também poderá responder ao artigo 243-G (praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão da cor), que prevê suspensão de cinco a dez partidas.
Vítima na confusão, Manoel adotou o silêncio na chegada da delegação atleticana a Curitiba. Até a decisão do Atletiba, amanhã, o zagueiro rubro-negro será blindado das entrevistas. Também seus companheiros de clube estão orientados a não comentar o episódio ocorrido na derrota do Furacão por 1 a 0 para o Porco.
Já o palmeirense compareceu ao 23.º Distrito Policial para dar seu esclarecimento. "Estou aqui de cara limpa para pedir desculpas ao Manoel. O que eu fiz não se faz com outro ser humano. Estou arrependido. Num ato de nervosismo perdi a razão e fiz toda aquela cag... Sei que estou errado, mas não sou um bandido, um marginal. Sou um pai de família e preciso ser tratado desta forma", declarou Danilo, surpreso com a proporção atingida pelo ato.
Toda polêmica ocorreu quando Manoel desferiu uma cabeçada em Danilo dentro da área do Palmeiras e em seguida levou uma cusparada do rival. O atleta alviverde também berrou "Seu macaco do c...", o que gerou revolta do lado rubro-negro. No segundo tempo, Manoel ainda pisou no adversário.
O caso acabou na delegacia após o jogo, onde foi aberto um inquérito de injúria qualificada com emprego de racismo contra o atleta palmeirense. Em caso de condenação, pena prevista é de um a três anos de reclusão. Ontem foi a vez de Danilo ser ouvido pelo delegado titular Marco Aurélio F. Batista, que disse ter requisitados as imagens de tevê e também o áudio da partida, gravado pelo canal ESPN, no qual fica nítido o xingamento.
Segundo procurador-geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Paulo Schmitt, Manoel pode ser indiciado não por agressão, mas por ato hostil (artigo 250) tanto pela cabeçada quanto pelo pisão confesso. A pena por cada uma das infrações seria de uma a três partidas.
De cara, porém, os atletas correm o risco de ficar de fora do jogo de volta da Copa do Brasil, na Arena, na próxima semana. Schmitt adiantou que pode pedir uma suspensão preventiva. Até pelo fato de o caso não ter tempo hábil de ser julgado até quarta, dia do confronto.




