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Futebol

Para jogadores, Olimpíada é passaporte para Mundial de 2014

Brasil inicia hoje a luta pela inédita medalha de ouro, mas os jogadores também sonham com uma vaga na Copa de 2014

Neymar em frente do símbolo dos Jogos: prova de fogo | Moacyr Lopes Junior/ Folhapress
Neymar em frente do símbolo dos Jogos: prova de fogo (Foto: Moacyr Lopes Junior/ Folhapress)

As respostas dos jogadores do Brasil para quase todas as perguntas sobre a Olimpíada contêm a seguinte afirmação: "é uma competição importante, pois nunca conquistamos a medalha de ouro". Subir ao alto do pódio, entretanto, representa bem mais do que a glória esportiva e o fim de um tabu incômodo.

A partir de hoje, na estreia diante do Egito, às 15h45 (horário de Brasília), em Cardiff, no País de Gales, os brasileiros lutam também por uma vaga na Copa do Mundo de 2014. O sucesso em Londres é um passaporte de peso, graças ao caráter preparativo do evento – e pelo fato de o Brasil não disputar outra competição oficial, já que está fora da Eliminatória.

"Com certeza um bom papel é um bom passo para a Copa. Mas o nosso principal objetivo é conquistar a medalha de ouro", afirmou o lateral-esquerdo Marcelo, ontem, após o treino derradeiro, realizado na Cardiff University.

O jogador do Real Madrid sabe o que está falando. Marcelo integrou o grupo que fracassou em Pequim, na última tentativa de se ver livre da obsessão olímpica. Dois anos depois, não desembarcou no Mundial da África do Sul.

Dos 18 chamados para a China sobreviveram apenas o atacante Robinho e o zagueiro Thiago Silva, capitão do conjunto que está na Inglaterra. A mesma proporção escapou do vexame em Sydney-2000 para a Copa da Coreia do Sul e do Japão-2002: o zagueiro Lúcio e o meia Ronaldinho Gaúcho.

"Nós sabemos que seremos mais bem vistos, com história na seleção, caso a medalha de ouro seja alcançada. Vamos fazer de tudo para conseguir, sabendo dessa pressão e da responsabilidade", reforçou o volante Rômulo, ex-Vasco, agora atleta do russo Spartak Moscou.

O vestibular não assombra somente quem está dentro de campo. Desde o momento em que foi alçado ao cargo, em julho de 2010, o técnico Mano Menezes sabe que a permanência até o Mundial em casa depende de um triunfo do "projeto olímpico".

O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marín, nunca escondeu a sua predileção por Muricy Ramalho, técnico do Santos. Nova frustração e o dirigente terá a desculpa perfeita para trocar o comando.

Desconforto

A premiação pela conquista do ouro inédito causou constrangimento na coletiva de ontem dos jogadores do Brasil. Assim que o lateral-esquerdo Marcelo foi questionado sobre o tema, Rodrigo Paiva, diretor de comunicação da CBF, interviu negando qualquer acerto. Desfeito o desconforto, e retomada a palavra, o atleta comentou: "Não estamos pensando na premiação. Nosso foco é a medalha."

Apesar disso, o dinheiro já foi combinado e, de acordo com declarações de Andrés Sanchez, diretor de seleções da entidade, será pago só em caso de título. Os valores não foram revelados, mas especula-se que alcancem R$ 80 mil para cada atleta.

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