
A semana que pode terminar com dois rebaixamentos do Paraná para a Série C do Brasileiro e para a Segunda Divisão estadual , promete ser uma das mais tensas da história do clube. Em campo, o time depende apenas de si: um empate com o Bragantino, sábado, já é o suficiente. No tapetão, está nas mãos dos nove auditores do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e disputa com o Rio Branco a permanência na elite estadual ainda por causa da suposta escalação irregular do jogador Adriano pelo clube parnanguara.
A sessão itinerante do STJD em Curitiba, que começa às 8h30, será especial. Pela primeira vez a máxima instância jurídica do esporte brasileiro terá um pleno fora do eixo Rio-São Paulo. Por coincidência, um dos processos em pauta será justamente o mais importante do ano para o futebol paranaense. A decisão "em casa" mexerá com a plateia.
Cerca de 150 pessoas devem acompanhar o julgamento. A sessão faz parte da XXI Conferência Nacional dos Advogados e, apesar de não ser aberta ao público em geral, conta com a expectativa das torcidas envolvidas.
Para o presidente do STJD, Rubens Approbato, apesar de ser um julgamento atípico e possuir um apelo maior por envolver dois paranaenses, a pressão externa não deve influenciar na decisão dos auditores. "Não temos receio. Tenho certeza de que o público vai se comportar bem, apesar da paixão que o futebol envolve", garante.
A "casa cheia" também não assusta os advogados de Paraná e Rio Branco. Itamar Côrtes, responsável por defender o Tricolor, acredita que a expectativa da plateia e da imprensa deve aumentar apenas a repercussão. "A questão técnica não muda", afirma.
Domingos Moro, representante do clube de Paranaguá, confessa que preferia a sede do STJD, no Rio de Janeiro, mas não acredita que a pressão vá influenciar no resultado. "Se pressão ganhasse jogo, o Cruzeiro teria vencido o Atlético. Não ligo para isso", ironiza Moro, citando o empate de domingo pelo Brasileiro.
Porém o imbróglio envolvendo o rebaixamento pode novamente não acabar. Moro promete entrar com um pedido de anulação do último julgamento no TJD-PR, alegando que teve o direito de defesa cerceado. Se for acatado pelos auditores, um novo julgamento na instância estadual terá de ser marcado.
Do outro lado, o advogado paranista diz que o julgamento pode nem ocorrer. Segundo Côrtes, o Rio Branco se antecipou e entrou com pedido de recurso antes do prazo, anulando a validade da reunião de hoje.



