
Além da honra, escapar da degola vai valer meio milhão de reais para ser dividido entre os jogadores e a comissão técnica do Paraná. É esse o valor do bicho proposto pela diretoria caso o time consiga os pontos necessários para se manter na Série A do Brasileiro.
Incentivo extra que por enquanto não vem surtindo resultado, afinal o Tricolor não conseguiu superar a má fase nem mesmo quando a bolada final foi proposta antes das duas últimas partidas. Ou quando o valor por vitória foi elevado para R$ 50 mil às vésperas do clássico com o Atlético, há cinco rodadas R$ 30 mil oferecidos pelo próprio clube e R$ 20 mil pelo grupo de investimentos formado por conselheiros.
De lá para cá, a única vez que os jogadores embolsaram o bicho foi no 3 a 1 sobre o Fluminense, que tirou a equipe temporariamente da zona de rebaixamento. No mais, foram quatro derrotas: Atlético, América-RN, Figueirense e Flamengo.
Apesar de não estar com a situação financeira confortável, o Paraná sabe que sairá mais barato investir na motivação do time atual do que passar uma temporada, pelo menos, na Série B. A verba de R$ 4,4 milhões vinda do rateio feito pelo Clube dos 13 pelos direitos de transmissão dos jogos, por exemplo, seria substituída por um valor bem inferior, cuja responsabilidade de distribuição é da Futebol Brasil Associados (FBA).
"Eu, particularmente, trocaria o dinheiro por sair desta situação. A parte financeira não conta tanto neste momento, nos preocupamos mais com a honra e o lado profissional, porque é muito ruim para a carreira de qualquer jogador participar de um rebaixamento", declarou o volante Goiano, que voltou a ser titular no revés de sábado perante o Rubro-Negro carioca.
Ele reconhece, porém, a validade da tentativa do clube. "Tudo o que tiver de positivo agora é bem-vindo, desde que tenhamos a consciência de que o mais importante é nos mantermos concentrados e trabalhando para conseguir os pontos necessários", acrescentou.
O que parece ter mudado um pouco o comportamento da equipe na última rodada depois da falta de atitude demonstrada em Natal e Florianópolis foi o trabalho emocional preparado pela diretoria, com a contratação do psicólogo Gilberto Gaertner e a convocação do ex-presidente Ernani Buchman para uma palestra especial, além do apoio dado pela torcida na Vila Capanema.
Mesmo assim, circunstâncias da partida levaram à derrota por 1 a 0 para o Fla, frustrando a arrancada pretendida. Gaertner, porém, pretende usar o comportamento do time como exemplo para o duelo de sábado contra o Palmeiras, em São Paulo. "Já mostramos algo diferente. Pena que o resultado não veio. Mas os atletas perceberam que há condições de reagir. Vamos continuar o trabalho", afirmou.



