A novela envolvendo Thiago Neves e o Paraná ainda não acabou. Após desistir de reverter o contrato que cede 60% dos direitos federativos do jogador à empresa Systema, de Léo Rabelo, o clube quer descobrir onde foram parar os US$ 80 mil (R$ 145,6 mil) a que tinha direito pelo empréstimo do jogador ao Vegalta Sendai, do Japão.
A transferência para a Ásia ocorreu no período entre janeiro e maio de 2006, quando o Tricolor ainda era dono de apenas 20% dos direitos federativos do atleta.
O caso é bastante complicado. Foi o primeiro a chamar a atenção para os negócios que estavam sendo realizados pelo presidente José Carlos de Miranda em parceira com o empresário Léo Rabelo.
Em um primeiro momento, Miranda colocou em ata que o jogador havia sido apenas emprestado ao time japonês por US$ 400 mil, dos quais metade ficariam com o clube e a outra metade com a L.A. Sports, então detentora de 50% do passe do atleta. O problema é que o dirigente nunca levou o contrato para o clube que até hoje não tem o documento.
Para piorar, no meio do ano passado, quando Thiago voltou do Oriente, Miranda apareceu com outro contrato. No lugar do documento de empréstimo, surgiu um cedendo 60% dos direitos do jogador pelos mesmos US$ 400 mil. O clube ficou ainda com 20% referentes a Thiago. Parcela da qual o Tricolor só se desfez no meio deste ano em troca da quitação de uma dívida que tinha com a Systema e a L.A. Sports.
Tudo ficou assim até terça-feira, quando os Conselhos Normativo e Deliberativo, mais o presidente em exercício Aurival Correia, se reuniram para analisar a negociação. Foi quando perceberam que, além de praticamente dar o jogador aos "parceiros", na conta ainda faltavam US$ 80 mil.
Afinal, se os US$ 400 mil foram relativos à venda dos 60% do jogador e o dinheiro realmente foi parar nas mãos de Paraná e L.A. onde foi parar a quantia relativa ao empréstimo feito ao clube japonês?
A Systema, segundo Léo Rabelo, logo depois de adquirir parte do atleta o emprestou por outros US$ 400 mil ao Vegalta. Só que não repassou aos cofres do clube os 20% que, então, ainda pertenciam ao Tricolor.
Aurival Correia, o presidente em exercício, confirma que o dinheiro não entrou no caixa paranista. Segundo ele, que na época era vice de finanças, o Paraná recebeu pela venda da porcentagem à Systema, depois recebeu o relativo aos 20% do primeiro empréstimo ao Fluminense, mas nada vindo do Japão.
Recém-erguido à presidência do time da Vila, Correia é contido quando fala sobre o assunto. "Não [recebeu o dinheiro do empréstimo]. Mas não é bem assim...", diz, sem dar detalhes.
Ocimar Bolicenho, presidente do Conselho Normativo, tem uma explicação mais clara. "US$ 80 mil! É aí que está o furo", afirma. Ele também conta a reação de Miranda ao ser indagado sobre a questão na frente de toda a cúpula paranista: "Silenciou".



