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Paranaense

Paraná entra nos trilhos após ultimato

Mudança de postura no clássico começou com bronca do vice-presidente Aramis Tissot. Dirigente ameaçou fazer mudanças em caso de derrota

O zagueiro Diego Correia admitiu que a conversa com Aramis Tissot mexeu com o time: “Sabíamos que sem a vitória, muita coisa iria mudar” | Hedeson Alves/ Gazeta do Povo
O zagueiro Diego Correia admitiu que a conversa com Aramis Tissot mexeu com o time: “Sabíamos que sem a vitória, muita coisa iria mudar” (Foto: Hedeson Alves/ Gazeta do Povo)

A fase é outra. Após a vitória no clássico com o Coritiba, os jogadores paranistas não escondiam o alívio na Vila Capanema. Na reapresentação, atletas sorridentes e cantarolando. Nada que lembrasse os olhares preocupados da semana anterior e os discursos contidos. O clima descontraído teve direito até a brincadeiras entre os companheiros de elenco. A mudança, porém, começou ainda antes do dérbi. Em campo, a pos­­tura tricolor diante do Alvi­­verde, líder do campeonato, já ha­­via sido bastante diferente da das rodadas anteriores.

Quase no limite para afundar em uma crise, vindo de seis jogos sem vencer e longe da zona de classificação à fase final do Paranaense, o Paraná precisou sacudir intensamente os ânimos para colocar o time novamente nos trilhos. Uma reunião realizada antes da viagem a Paranaguá com o vice-presidente de futebol, Aramis Tissot, serviu exatamente para isso.

Na conversa, o ultimato ao plantel veio misturado com uma dose de apoio. A tática funcionou. "Joguei muito limpo com eles, fui muito franco. A conversa foi nesse sentido (da necessidade de uma vitória), mas não falamos em dinheiro, procurei dar força e disse que eu assumiria as broncas, porque eu sou a vidraça do nosso futebol hoje", falou o dirigente que aprovou os resultados da medida adotada. "Senti uma diferença de postura muito grande a partir dessa conversa", complementou, sem revelar minúcias do encontro.

O técnico Marcelo Oliveira teve sua parcela de responsabilidade no triunfo em Paranaguá, ao escolher a formação que foi a campo, mas a atuação nos bastidores deu à equipe a força necessária para derrotar o rival. "Uma das coisas que nos ajudou foi a conversa com o Aramis. Apesar da pressão, a diretoria nos deu força e este apoio interno mudou muito, nos ajudou bastante", disse o zagueiro Irineu.

"Estávamos com essa pressão do dia a dia e da diretoria e sabíamos que se o resultado positivo não viesse isso mudaria muitas coisas. E nós tínhamos de tirar esse peso que vínhamos carregando", fa­­lou Diego Correia, dando a en­­ten­­der que o tom da bronca da di­­re­­ção foi duro. Um discurso do es­­tilo "a paciên­cia está chegando ao fim".

Além do papo com o dirigente, a estratégia de colocar a cabeça dos jogadores em ordem se completou com dois "encontros" com o psicólogo especializado em esportes, Gilberto Gaertner (veja matéria nesta página). Tudo para buscar a vitória que não acontecia desde o dia 24 de janeiro (2 a 1 sobre o Pa­­ranavaí). O período de seca deixou todo o grupo sob ameaça, inclusive o treinador. Pelo que se viu ontem no Durival Britto, um capítulo bem menos tenso se iniciou no do­­mingo. Resta saber como ele continuará a ser escrito dentro de campo. O novo testes será amanhã, às 21 horas, quando o time joga pela classificação para a segunda fase da Copa do Brasil, dentro de casa, contra o Cerâmica-RS.

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