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Política

Paraná segue na tropa de elite do Bolsa-Atleta

Estado tem 79 dos 1.031 contemplados pelo projeto de incentivo do governo federal

O Paraná é um dos três estados com o maior número de beneficiados pelo Programa Bolsa-Atleta, auxílio financeiro concedido pelo governo federal a desportistas de alto rendimento que não possuem patrocínio. A ajuda proveniente do Ministério do Esporte ameniza um dos principais problemas do esporte no Brasil: a falta de dinheiro para o treinamento adequado e para a participação em competições de nível elevado, um conhecido entrave para o desenvolvimento de atletas de diversas modalidades no país.

De acordo com a lista de beneficiados de 2007, divulgada há pouco mais de uma semana pelo Ministério do Esporte, 79 dos 1031 contemplados são paranaenses (7,66% do total). A exemplo do que também aconteceu no ano passado, o estado novamente ficou atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro no número de remunerados pelo programa. Em 2006, 64 dos 854 atendidos pelo Bolsa-Atleta eram da terra das araucárias.

A mão do governo sobre um mal crônico no âmbito esportivo do país é recebida com alívio. "Conseguir patrocínio é difícil, ainda mais para atletas especiais. Daí a importância dessa ajuda", ressalta Fabiano Machado da Silva, nadador paraolímpico curitibano de 32 anos que renovou por mais um ano sua participação no Bolsa-Atleta.

Segundo os atendidos pelo governo, o auxílio tem impacto direto nos seus resultados. "Dá tranqüilidade para treinar, o que é fundamental para se ter um bom rendimento", diz Silva, que já coleciona 14 medalhas em Parapans, 13 em mundiais para amputados e uma em paraolimpíada. A maioria das suas conquistas veio depois da ajuda governamental. De 2001 a 2004, antes do surgimento do Bolsa-Atleta, ele recebia auxílio financeiro do Comitê Paraolímpico em função da medalha de bronze obtida nos Jogos Paraolímpicos de Sidney.

Outro indício de que o programa tem efeito direto nas competições surgiu em agosto, quando o Brasil conquistou o primeiro lugar geral nos Jogos Parapan-Americanos do Rio de Janeiro. O resultado inédito foi o melhor da história do país. Quase metade dos atletas brasileiros que competiram no evento (109 de 239) recebem o benefício.

A ação não faz diferença apenas para atletas paraolímpicos. Segundo Talita Medeiros, de Paranavaí, de 18 anos, praticante de atletismo há cinco, especialista no lançamento de dardo e martelo e dona de recordes paranaenses no adulto e juvenil, é a bolsa que lhe dá segurança para se desenvolver. "Ela não me deixa faltar nada do que preciso para competir", afirma a atleta de 18 anos, que conta com o benefício desde 2005. Ela começou na categoria estudantil e atualmente recebe na nacional.

Quase metade (438) dos benefícios concedidos na última lista é para atletas que nunca o receberam. A maioria deles está em idade escolar. Das novas bolsas, 260 serão destinadas à categoria estudantil, para jovens que já tenham demonstrado potencial para brilhar, como o judoca curitibano Henrique Miniskowski da Silva. "Isso vai me ajudar muito, pois há muitos gastos para competir", diz o lutador de apenas 14 anos, bicampeão brasileiro e pan-americano infanto-juvenil.

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