
Sem dinheiro para contratar e com o time de 2012 ainda indefinido, a diretoria do Paraná planeja uma aposta, no mínimo, arriscada para começar a temporada. O Tricolor irá garimpar jogadores do futebol amador para reforçar o clube no ano que vem. Entre dois e três atletas que disputaram a Suburbana de Curitiba deste ano serão testados na Vila Capanema em janeiro.
O atacante Marcelo, de 25 anos, campeão deste ano pelo Bairro Alto, é a principal aposta paranista. O jogador, que é cabo do Exército, marcou seis gols pela equipe da zona leste da capital na competição deste ano e despertou o interesse do Tricolor.
Marcelo conta que realizou apenas um teste para ser jogador, quando tinha 13 anos, no Atlético. Mas garante que apesar da idade ainda não desistiu do sonho de jogar profissionalmente.
O jogador do Bairro Alto afirma que possui um bom preparo físico e que não terá dificuldades para se adaptar ao futebol profissional. "Sempre esperei por essa oportunidade. Estou acostumado a correr muito no quartel. Só o ritmo de jogo deve ser diferente, mas com os treinos e a preparação me acostumo", disse, garantindo que ainda aguarda um contato da diretoria paranista.
O vice-presidente, Paulo César Silva, chegou a assistir a decisão da Suburbana, entre Bairro Alto e Trieste, no Estádio Pedro de Almeida. "Não deu para ver nada, o campo era muito ruim, mas queremos fortalecer e valorizar a Suburbana", declarou o dirigente.
De acordo com Silva, os escolhidos na garimpagem tricolor irão passar por exames laboratoriais e físicos e ficarão treinando por 15 dias com o elenco principal. Se forem aprovados, os jogadores chegarão praticamente sem custos ao Paraná. Apenas as taxas legais para reverter os atletas amadores em profissionais precisarão ser pagas na Federação Paranaense de Futebol (FPF). O valor não ultrapassa R$ 200.
ConcorrênciaEntretanto, o Tricolor poderá enfrentar concorrência. O Rio Branco, que disputa a Primeira Divisão do Paranaense, também tem interesse em levar para Paranaguá os craques amadores.
O presidente do Bairro Alto, Cláudio Cunha, garante que os jogadores da Suburbana têm plenas condições de atuarem nos gramados profissionais. "Tem muita gente boa aqui. Os clubes precisam olhar com mais carinho para nós", afirmou.
A contratação de jogadores amadores não é novidade no Paraná. Na década de 90, o Tricolor apostou em nomes como o meia Neguinho, o lateral-direito "Salário", e os atacantes Marlon e Hideo. Mas, segundo Silva, desta vez a filosofia adotada será diferente.
"Naquela época foi feito sem critério, na louca. Agora temos as coisas bem claras e não iremos contratar jogadores velhos", explicou o vice-presidente tricolor.



