"Nunca chorei tanto na minha vida", diz o atual campeão brasileiro e integrante da elite do Circuito Mundial, o WCT. Muçulmano, Jihad Kohdr foi extraditado após ser barrado no aeroporto de Dallas (EUA) por estar com o visto de turista, e não com o de trabalho. O surfista tentava ir para o Havaí, lugar que freqüenta desde os 14 anos de idade.
O paranaense de Matinhos disputaria as últimas etapas do Circuito Mundial de acesso, o WQS. Perdeu a primeira etapa, Haleiwa, e provavelmente perderá a segunda, em Sunset, que começa na quinta-feira. Ficou 15 horas em uma sala sem poder comer e com direito a telefonemas, de no máximo um minuto, que eram traduzidos pelos seguranças.
- A forma como me trataram e como me revistaram foi horrível. Eu sentia fome. Eu pedia para alguém ir comigo comprar alguma coisa e só ouvia não. Ofereci dinheiro para alguém comprar, e nada - desabafa Jihad, por e-mail.
Em 2002, Jihad teve problema similar na Califórnia. Foi interrogado e, após algumas horas, liberado para retirar o visto de trabalho lá mesmo. Desta vez, o castigo foi a extradição. O visto de turista do brasileiro, com validade até 2009, foi cancelado.
- Fui escoltado até o avião como se eu fosse um criminoso. Foi horrível a maneira como as pessoas me olhavam. Cancelaram o meu visto e entregaram o passaporte para o comandante. Entrei no avião e implorei por comida para uma aeromoça diz Jihad, que foi orientado por seu advogado a não dar mais entrevistas até que consiga o visto.
O brasileiro sabia que precisava do outro tipo de visto, mas não teve tempo para solicitá-lo por conta dos mais de 25 campeonatos que disputou durante o ano.
- Sei que errei. Já tinha tido problema em 2002 e sabia que o correto era ter o visto de negócios. Estive na Austrália, Indonésia, África do Sul, Japão, México, França e Portugal fora os campeonatos que disputei no Brasil. Não tinha como parar. Eu tinha me programado para tirar o visto nas férias entre o final de dezembro e o começo do circuito 2007 em fevereiro.



