
Ser novato no Dakar costuma significar muito sofrimento. Quebras, abandono de etapas, punições e, para quem chega ao fim, horas de diferença para os primeiros colocados. Mas não é comum ver estreantes pilotando um Race Touareg, hoje o melhor carro de rali do mundo. A bordo do "Sapo Azul", a primeira participação da dupla paranaense Maurício Neves e Clécio Maestrelli na maior competição off road do planeta vem acompanhada da expectativa de competir de igual para igual com os principais nomes do rali.
"Queremos ficar entre os cinco primeiros e não ser o último carro da (equipe) Volkswagen", planeja Neves, responsável por guiar o Touareg pelas rotas entre a Argentina e o Chile, na segunda edição sul-americana do Dakar, de 2 a 16 de janeiro.
Além dos outros quatro Touareg, eles esperam a forte concorrência de carros da BMW, Mitsubishi, Hummer e Nissan. Entre os companheiros de equipe, os atuais campeões, Giniel de Villiers (África do Sul) e Dirk Von Zitzewitz (Alemanha), e os vice-campeões Mark Miller (Estados Unidos) e Ralph Pitchford (África do Sul). Completam a lista os vencedores do último Rally dos Sertões, Carlos Sainz e Lucas Cruz (Espanha), e Nasser Al-Attiyah (Catar) e Timo Gottschalk (Alemanha), que terminaram em segundo o Sertões.
Foi o desempenho de Neves na prova que abriu as portas para o Dakar. Guiando o terceiro Sapo Azul, ao lado do navegador Eduardo Bampi, ele só terminou em quinto por causa de um incidente logo no segundo dia, mas convenceu a Volkswagen de que poderia continuar no time. "Em termos de resultado, foi uma porcaria. Mas o desempenho foi perfeito. Consegui andar no mesmo ritmo e às vezes até mais rápido que o Sainz e o Nasser", analisa.
Enquanto era negociada a participação no Dakar, Bampi avisou que motivos profissionais o impediriam de competir. Prontamente Neves recorreu ao velho parceiro Clécio Maestrelli, companheiro na conquista do Sertões em 2007.
"Já era a primeira opção para o Sertões. A equipe exigiu alguém que falasse inglês e tivesse experiência no Dakar", diz o piloto.
Na época, Neves não quis impor nada. "Agora já me sinto mais à vontade e dava para falar quero o Clécio. Achei que teria mais problema para eles aceitarem. Mas entenderam que ficamos até melhor tecnicamente", conta. Sabendo os termos técnicos em inglês, eles acreditam que vão se virar bem no percurso.
Uma dificuldade será a falta de treinos. Depois do Sertões, o piloto não teve mais contato com o Touareg. Para o navegador será a primeira experiência. O carro vai direto da Alemanha para a Argentina e eles só terão um treino para ajustes de 150 km em Buenos Aires, no dia 29 de dezembro.
A experiência no Dakar também fará falta. "Mas nem tanto, porque o terreno está sempre mudando. Além disso, é só um dos fatores que contam. A habilidade e a sorte também fazem diferença", afirma Neves.



